Antes do Conclave, é a vez do futebol dominar as atenções no Vaticano

Antes do Conclave, é a vez do futebol dominar as atenções no Vaticano

Jamil Chade

10 de março de 2013 | 04h40

Antes de iniciar o conclave, o Vaticano faz uma pausa às orações para algo bem mais mundano: o futebol. Depois de uma interrupção em respeito à renúncia de Bento XVI, padres, seminaristas e religiosos recomeçaram neste fim de semana a Clericus Cup, uma espécie de Copa do Mundo da Igreja disputada anualmente em Roma.

São mais de 355 “jogadores” de 56 países diferentes que se enfrentam nos gramados em Roma. As regras são quase todas as mesmas do futebol. Salvo que ofender o adversário e o juiz está fora de questão para um grupo que se basea na religiosidade.

Não é a primeira vez que o torneio ocorre. De fato, ele foi criado por uma iniciativa do polêmico secretário de Estado do Vaticano, Tarcisio Bertone, amante declarado do futebol e que já chegou a ser comentarista de jogo em rádios em Genova.

No sábado, os italianos do time da Madonna Celeste del Mater Ecclesiae jogaram contra os franceses do Séminaire Gallico, que neste ano importou o “artilheiro” do Senegal Sadio. Também se enfrentaram os times da Gregoriana, a universidade jesuíta, contra o Col Mex, do México.

Neste domingo, é a vez dos brasileiros entrarem em campo. O Colégio Pio Brasileiro é quem representa os religiosos nacionais e atualmente ocupada a segunda posição em seu grupo.

Oficialmente, a meta do torneio é a de “revigorar a tradição do esporte na comunidade cristã” e até mesmo o cardeal de Sidnei, George Pell, prestigiou o torneio, indo às arquibancadas. O Vaticano conseguiu locais “nobres” para o torneio, com jogos de abertura e de encerramento no estádio de Marni, que sediou os Jogos Olímpicos de 1960. Uma das partidas chegou a ter Stefano Farina como árbitro.

Desde seu início, são os italianos que mais vezes levantaram a taça. Os romanos do Redemptoris Mater venceram em 2007, 2008 e 2010.

Mas é sem dúvida a existência de um cartão azul – além do vermelho e do amarelo – que mais chama a atenção. Ironizado como o “cartão do pecado”, ele é mostrado todas as vezes que um jogador atua de forma “inadequada”. A penalidade é a de sentar no banco de reservas por cinco minutos…e talvez aproveitar para confessar seus pecados em campo.

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