Após revelações do Estado, Rosell tem cargo ameaçado no Barça

Jamil Chade

29 de setembro de 2013 | 11h15

GENEBRA – Sócios do Barcelona vão pedir nesta segunda-feira a realização de voto de censura contra o presidente do clube, Sandro Rosell, por conta das revelações iniciadas pela reportagem do Estado sobre as relações entre o cartola, a CBF e o desvio de dinheiro. A meta dos sócios é a de conseguir apoio suficiente para que um clube passe por uma nova eleição. Em seus mais de cem anos, essa será apenas a terceira vez que um presidente enfrenta um pedido de voto de censura.

Documentos obtidos pelo Estado apontavam que um terço da receita dos amistosos da seleção brasileira ia justamente para uma empresa de Rosell, a Uptrend. Para 24 jogos, por exemplo, ele teria recebido mais de 8 milhões de euros por serviços que até hoje nem ele e nem a CBF conseguiram explicar o motivo. Semanas depois da revelação, Rosell aceitou dar sua versão dos fatos, mas apenas em uma entrevista pré-gravada a uma rádio local. Seu argumento era de que não se tratava de comissões ou subornos, mas sim de honorários por serviços prestados. A reportagem do Estado revelou que sua empresa com sede em Nova Jersey tinha endereço em um local que apenas alugava salas de reunião e que, na prática, a empresa não existia fisicamente. Os documentos também revelaram sua empresa recebia em Andorra, a partir de uma conta que fazia a transferência de recursos das Ilhas Cayman.

Um grupo agora de sócios, conhecidos pela plataforma Go Barça, estima que Rosell não está contando a verdade e pede um voto de censura. Se o voto passar, a esperança do grupo é de que um referendo seja convocado. O grupo estima que Rosell precisa sair por conta “das mentiras e enganos” que ele teria feito desde que assumiu, em 2010. O grupo de sócios chegou a enviar uma carta à presidência do Barça pedindo explicações diante das notícias publicadas pelo Estado.

Na carta, o grupo já alertava que estavam “livres para utilizar os mecanismos democráticos que tem a instituição, o que não desejamos, para exigir explicações”.A avaliação é de que Rosell e sua cúpula teria violado o código de ética do clube. A pressa do grupo de sócios em apresentar a moção de censura também ocorre pelo fato de que o Barça deve votar, na semana que vem, uma mudança de seu estatuto que dificulta a apresentação de propostas de votos de censura.