Às vésperas de eleições, policiais prendem cartolas da Fifa

Jamil Chade

27 de maio de 2015 | 01h51

ZURIQUE – Numa operação surpresa, policiais suíços prenderam na manhã desta quarta-feira cartolas da Fifa atendendo a um pedido de cooperação judicial dos EUA. Às vésperas da eleição que colocaria Joseph Blatter para liderar por mais quatro anos a Fifa, as autoridades desembarcaram nas primeiras horas da manhã no luxuoso hotel Baur au Lac, em Zurique, para proceder com as prisões.

Suspeitos de corrupção por décadas em uma série de escândalos, os cartolas são acusados de fraude, lavagem de dinheiro e uma série de crimes financeiros. Os policiais exigiram da recepção do hotel as chaves dos quartos e iniciaram uma série de prisões. Os nomes dos suspeitos, por enquanto, não foram revelados.

Mais de dez cartolas, porém, seriam denunciados, num duro golpe contra Joseph Blatter e seus aliados. Entre os suspeitos estão Jeff Webb, presidente da Concacaf e representante das Ilhas Cayman, além de Eugenio Figueiredo, até pouco tempo presidente da Conmebol.

As investigações foram lideradas pela procuradora americana Loretta Lynch, que pediu a colaboração das autoridades suíças.

Grande parte do escândalo envolveria cartolas da América Central e América do Norte, uma das bases de Blatter nas eleições.

Com reservas de US$ 1,5 bilhão e tendo lucrado mais de US$ 5 bilhões com a Copa do Mundo no Brasil em 2014, a Fifa parecia ser até pouco tempo uma potencia paralela, blindada da Justiça.

A operação, liderada por cerca de uma dúzia de policiais, se transforma no maior escândalo já vivido pela entidade mergulhada em crises e casos de corrupção.