Atrasos no Rio ameaçam Olimpíada de 2016

Jamil Chade

08 de abril de 2014 | 19h51

Um dos principais dirigentes do COI revela que entidades estão “com medo” sobre o que pode acontecer nos Jogos de 2016 diante dos atrasos e já fala em buscar “Plano B” para certas modalidades. 

 

GENEBRA – Um dos principais dirigentes do esporte mundial, Francesco Ricci Bitti, afirma estar “com medo” da preparação do Rio para os Jogos de 2016 e alerta que o Brasil não está acostumado a organizar grandes eventos. Ricci Bitti é o presidente da Federação Internacional de Tenis, serve como representante das 28 modalidades de esportes de verão e é um dos membros do Comitê do COI que avalia a preparação da cidade carioca.

Na quinta-feira e sexta-feira, o COI realiza sua reunião do Comitê Executivo e o Rio de Janeiro deve estar no centro da agenda. Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, terá de fazer uma apresentação aos dirigentes sobre o andamento das obras. Mas a reunião deve ser marcada por uma dura cobrança por parte do COI, que já abandonou sua postura discreta e passou a atacar abertamente o Brasil pelos atrasos. Em janeiro, o Rio 2016 anunciou que o orçamento para as obras dos Jogos tinha aumentado de R$ 4,2 bilhões estiados em 2009 para R$ 7 bilhões.

“Está ficando muito sério”, declarou Bitti, em entrevista a uma agência internacional, a AP. “O Comitê Organizador tem boas pessoas. Mas sem influência para lidar com o problema. Não se trata da China, onde você pode pedir para as pessoas trabalharem pela noite. No Brasil, isso não pode ocorrer. O governo precisa mudar de velocidade”, insistiu.

“Podemos ser flexíveis com a infra-estrutura, mas certamente não com as instalações esportivas”, indicou. “Mesmo naqueles que não consideramos que estão ameaçadas, não vemos um sentimento de urgência”, disse. Ele indicou que, em alguns casos, modalidades terão de logo começar a repensar onde é que poderão ser instaladas no Rio, já que o plano original pode não atender às necessidades dos diferentes esportes.

” Precisamos agir agora. Se esperarmos mais seis meses, diante de um governo inativo, acho que a situação ficaria muito sério”, disse Bitti. “O comiteê organizador está fazendo sua parte. Mas o governo não apoia o suficiente”, afirmou.

Hábitos – Para Bitti, o COI precisa tirar lições do caos da Copa de 2014 no Brasil. “Não podemos esperar que, no final, as coisas vão se arranjar”, disse. “Desta vez, temos o estilo e hábitos da América do Sul”, indicou. “Eles (brasileiros) não estão acostumados a gerencial grandes eventos como esse”, disse. “O Rio tem muitos problemas”, completou.

Em 2013, este blog revelou com exclusividade um informe secreto do COI que mostrava como a preparação do Rio estava sendo considerada como alarmante diante dos atrasos. Tanto o COI quanto o COB tentaram amenizar o vazamento do documento. Agora, os mesmos dirigentes começam a tornar público o que aqueles informes já revelavam.

 

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