Azerbaijão segue Catar e usa a bola para mudar sua imagem no mundo

Azerbaijão segue Catar e usa a bola para mudar sua imagem no mundo

Jamil Chade

04 Maio 2014 | 07h38

Patrocínio na camisa do Atlético de Madri é apenas um dos pilares de uma estratégia global

 

GENEBRA – O governo do Azerbaijão segue caminho do Catar e usa o futebol para promover. No próximo dia 24 de maio, o Atlético de Madri entrará em campo na final da Liga dos Campeões, uma partida que deve ser acompanhada por quase 200 milhões de pessoas. A camisa do clube estará estampada com uma mensagem em inglês: “Azerbaijan Land of Fire”.

A ex-república soviética é alvo de duras críticas quando o assunto é a corrupção a censura contra a liberdade de expressão e grupos de oposição. O atual presidente, Ilham Aliyev, sucedeu a seu pai no comando do país em 2003 e uma de suas primeiras decisões foi a de abolir a lei que estabelece limites para mandatos de presidentes.

 

Mas, assim como o Catar fez com o futebol, o país estabelecer uma verdadeira estratégia para mudar sua imagem no exterior graças aos esportes. E não tem economizado para isso. Apenas para ter seu nome na camisa do Atlético de Madri por pouco mais de um ano, o governo pagou US$ 16 milhões. O time de Simeoni não é o único a servir de plataforma para governos ou empresas de países com um perfil pouco democrático. Na final da Liga dos Campeões, o Real Madrid entrará em campo com sua camisa estampando ao mundo o nome da empresa área de um dos regimes do Golfo, a Emirates.

No caso do Azerbaijão, o país começou sua ofensiva de forma quase imperceptível para o grande público. Mas seduzindo os cartolas mundiais. A estratégia foi a de se oferecer para sediar torneios que custam mais que a renda que geram. Tanto a Fifa quanto a Uefa tem sérios problemas sempre para encontrar locais que queiram organizar torneios como o Mundial Sub 17 e ou campeonatos femininos.

O Azerbaijão se apresentou como um parceiro e conquistou a confiança de Joseph Blatter e Michel Platini, exatamente o mesmo que o Catar havia feito anos antes. Assim, Baku, a capital, recebeu o Mundial Sub 17 Feminino e o estado pagou até mesmo para que Shakira fosse cantar no encerramento em 2012.

O país também vai sediar em 2016 a Eurocopa Sub 17 em 2016 e Baku quer ser uma das sedes da Eurocopa de 2020.

Em 2015, o país passará a ter uma etapa da Fórmula 1 e também sediará os primeiros Jogos Olímpicos Europeus. Para isso, construiu um estádio olímpico e não disfarça que quer, um dia, receber as Olimpíadas.

Financiado com o dinheiro do petróleo, o Azerbaijão também vai patrocinar os jogos da Eurocopa de 2016 na França e terá seu nome promovido em todo o mundo. Baku vai também patrocinar as Eliminatórias Europeias da Copa de 2018, que será disputada na Rússia.

O projeto de usar a bola para se promover é de longo prazo. E cartolas não escondem ao Estado que, um dia, poderemos ver o Azerbaijão apresentando sua candidatura para sediar a Copa do Mundo.

Os críticos alertam que o ponto fraco do Azerbaijão é seu resultado em campo. O país jamais teve um time na Liga dos Campeões. A seleção nunca se classificou para a Copa do Mundo e nem para a Eurocopa. Hoje, ocupa apenas a 85a colocação no ranking da Fifa. Seu melhor resultado em campo foi uma goleada histórica sobre…Liechtenstein.

Mas isso não preocupa muito aos cartolas locais. Afinal, o Catar jamais foi a uma Copa e é apenas um deserto. Ainda assim, bateu os EUA e outros concorrentes para ficar com o Mundial de 2022. Prova de que não é a bola que conta.