Azevedo deve receber R$ 3,2 milhões em salários na OMC em 4 anos

Jamil Chade

09 de maio de 2013 | 04h41

Volume é inferior ao que ganham diretores do Banco Mundial e FMI e nao pagam impostos

 

Se nada mudar na forma de pagamento da OMC, Roberto Azevedo deverá receber em seus quatro anos na entidade um total de R$ 3,2 milhões em salários. O dinheiro, porém, é inferior ao que recebem os chefes do FMI e do Banco Mundial, consideradas como organizações irmãs da OMC. O brasileiro terá de negociar com a entidade o pacote de beneficios que terá a partir de 1 de setembro, incluindo moradia. Mas, se o atual salário de Pascal Lamy for mantido para o brasileiro, o pacote envolveria cerca de US$ 400 mil por ano (R$ 800,7 mil).

O valor é considerado por negociadores como um salário adequado para garantir quadros de qualidade na entidade e fontes dentro da OMC insistem que se essas mesmas pessoas estivessem no setor privado, ocupariam cargos com renda bem mais elevada. Ainda assim, o valor que Lamy recebe é cerca de 70% superior ao que era pago nos primeiros anos da entidade.

Se Azevedo receber o mesmo salário de Lamy, ele terá uma renda inferior a dos demais diretores de organismos internacionais. No FMI, a francesa Cristine Lagarde ganha US$ 467 mil por ano, além de benefícios extras de mais US$ 83 mil. No Banco Mundial, o presidente recebe US$ 450 mil. Já Azevedo teria um salário de cerca de US$ 400 mil por ano.

Em 2009, Lamy criou uma verdadeira polêmica ao propôr um aumento de 30% de seu próprio salário, no que seria uma forma de garantir uma aposentadoria, já que a entidade não tem tal mecanismo. Em meio a pior crise financeira internacional em 70 anos, o pedido foi categoricament rejeitado pelo governo dos EUA e de vários outros países.

A OMC, justamente por conta da crise, vem adotando uma postura de crescimento zero de seu orçamento e, segundo diplomatas consultados pelo Estado, dificilmente Azevedo teria qualquer benefício extra ao que foi obtido por Lamy. Diplomatas também apontam que o brasileiro será alertado que não poderá trazer para a entidade um número importante de assessores, como fez Lamy.

Oficialmente, Azevedo apenas assumirá suas funções no dia 1 de setembro. Mas, rompendo um tabu, já começará a trabalhar quase imediatamente. Diplomaticamente, Azevedo afirmou que ainda não sabe como será a transição e insistiu que o diretor é Lamy.

Mas o Estado apurou que o novo diretor deverá ocupar um escritório dentro da própria OMC e, ainda neste mês, pode começar a viajar para reuniões ministeriais, acompanhando o atual chefe da entidade e até mesmo se envolvendo em decisões. O objetivo é o de garantir uma transição rápida para que a conferência ministerial da OMC, em novembro, não se transforme em mais um fracasso mundial.

O encontro que ocorrerá na Indonésia terá como missão praticamente definir o rumo da OMC durante todo o mandato de Azevedo. Portanto, se não houver um acordo antes da conferência, o risco é de que o próprio trabalho do brasileiro seja prejudicado. Tanto Lamy quanto Azevedo sabem que a entidade vive um momento crítico e salvar a conferência se transformou em prioridade.

O problema é que, para isso, o brasileiro terá poucos meses entre sua posse e o evento. Em duas semanas, Lamy pretende levar Azevedo para a reunião ministerial da OCDE, em Paris.

Apesar da disposição de Lamy de colaborar, o francês foi um dos poucos no mundo comércio que não pegou o telefone para ligar para Azevedo desde sua nomeação. Lamy apenas mandou uma mensagem escrita.

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