Barcelona quer transformar Neymar em “marca global”

Jamil Chade

27 Maio 2013 | 12h34

Mega operação de marketing aguarda brasileiro na capital da Catalunha 
Não há dúvidas de que o Barcelona apostou em Neymar para a próxima temporada como parte de sua estratégia de renovação em campo. Mas, enquanto o departamento de futebol do clube busca formas de enquadrar o jogador no esquema com Lionel Messi, é em outro departamento do Barcelona que um plano tão ousado quanto o esquema tático do time está sendo formado para o brasileiro: o de marketing.
Fontes do Barcelona confirmaram ao Estado que os planos no clube catalão são de transformar Neymar em uma “marca global”. Para os executivos dessa área do clube, Neymar já demonstrou no Brasil sua capacidade de atrair a atenção de empresas e torcedores. Agora, se o jogador vingar em campo na Europa, o objetivo é traduzir essa popularidade no Brasil em um fenômeno mundial.
No Barça, tão importante quanto os titulos é a exposição internacional de marketing do clube. Os números falam por si só: a renda média dos últimos anos foi de 480 milhões de euros. 60% disso vem de marketing e, nesse esquema, tão fundamental quanto a própria “marca Barça” sao as marcas individuais como Messi ou Iniesta.
A operação de marketing envolve, no fundo, mais gente que o próprio time de jogadores. Sao 65 profissionais dedicados exclusivamente à venda do nome do clube e, sem a renda que hoje sai dessa área, o Barça simplesmente nao teria como pagar suas contas. Nos últimos anos, a dívida colossal do Barça de 578 milhões de euros foi reduzida em mais de 100 milhões de euros graças justamente a um novo impulso nas operações de marketing.
E é nesse esquema que Neymar irá entrar. Os especialistas não negam: usarão o fato de o craque ser brasileiro, o fato de a Copa ser no Brasil e o fato de ele vir do time de Pelé. Mas o principal será o argumento de que ele representa o “novo” Barcelona.
Não por acaso, jornais esportivos na Catalunha que trabalham em estreita cooperação com os dirigentes do clube já adotaram os conceitos da estratégia e usam termos como “craque do século XXI” para caracterizar o brasileiro.
No fim de semana, o clube já registrou o que seria uma busca espontânea por camisas de Neymar. Na loja oficial do time em Barcelona, torcedores fizeram filas no sábado para pedir que se gravasse o nome do brasileiro nas camisas, antes mesmo da assinatura do contrato.
A loja do Barcelona no Camp Nou, administrada pela Nike, é a segunda loja com a maior faturamento no mundo da empresa americana e só perde para a loja central da Nike em Nova Iorque.
A operação de marketing do clube vai deste aplicativos para smartphones até a venda de biquinis com as cores do time, além de encontros com Bill Gates – o homem mais rico do mundo – e turnês pelos “novos mercados”. Em seu comando, uma direção que sequer é espanhola, com especialistas estrangeiros e que tratam o clube como uma multinacional.
Com o Barça, Neymar ainda abre as portas para tres mercados que até agora pouco conheciam o brasileiro: China, Oriente Médio e EUA. O time tem um contrato com a MSL (a Mayor Soccer League) para a realizar amistosos. A nova fronteira é a China. O site do Barcelona já tem uma página em mandarim e parte da pré-temporada é realizada na Ásia. Já no Oriente Médio, a parceria do Barça com o Catar também usará a imagem do brasileiro.
Hoje, o Barça escolhe com quem, onde e quando vai jogar. Segundo fontes dentro do clube, se aceitasse todo os pedidos de amistosos, o time poderia atuar uma vez a cada quinze dias e cobrar 1 milhão de euros em cada jogo.
Outra atenção especial é a Internet. O Barça tem 18 milhão de seguidores no Facebook e os esforços são para transformar isso em renda.
Mas o departamento de marketing já avisa: uma estratégia de marketing em relação a Neymar poderá vingar nos primeiros meses. Mas a transformação do craque em uma marca global dependerá de uma outra equação bem menos previsível: gols e espetáculo.