BARROSO COBRA DO BRASIL AÇÃO MAIS ENFÁTICA PELA DEMOCRACIA NOS PAÍSES ÁRABES

Jamil Chade

29 de março de 2011 | 13h11

GENEBRA – As vésperas da primeira viagem da presidente Dilma Rousseff para a Europa, o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, insinua a necessidade de o Brasil apoiar processos de democratização pelo mundo e de usar sua própria experiência como “exemplo” para outros países.

« Sabemos que o Brasil está nesse momento focado em seu desenvolvimento. Mas, sem dar lição aos outros, seria importante o Brasil compartilhar sua experiência, que é um sucesso e é importante », cobrou, durante um evento na segunda-feira da Fundação Sérgio Vieira de Mello para a entrega de um prêmio a uma ong iraquiana. O brasileiro Vieira de Mello era o representante da ONU em Bagdá há sete anos, quando foi atingido por um carro bomba, fazendo 21 vítimas.

Falando em Genebra, Barroso fez um apoio explícito à intervenção militar na Líbia e garantiu que a resolução da ONU que permitiu a operação “entrará para a história do direito”. “A decisão de atacar não é fácil. Mas a alternativa era cruzar os braços e ver um massacre”, disse.

O presidente da Comissão chegou a comparar o que ocorreu em Ruanda e na Bósnia nos anos 90 com o que poderia ter ocorrido em Benghazi se não fosse a intervenção externa. «Precisamos trabalhar para depois poder olhar no espelho sem vergonha. Seria indigno ficar diferente », disse.

Barroso, questionado por este reporter, preferiu não comentar diretamente a decisão do Brasil de se abster na votação no Conselho de Segurança sobre a Líbia. De uma forma mais geral, apontou que “o papel do Brasil (no apoio à onda de democratização) é crítico”, disse.

« O Brasil é um sucesso global de um país emergente que mostrou que pode ter uma democracia competitiva e ainda assim ter crescimento econômico e desenvolvimento social », disse. « Por isso é que seu papel (na promoção da democracia) é importante. Rompe com a percepção de que são os estados não-democráticos os que mais crescem », apontou.

Barroso ainda vez uma defesa clara da operação militar na Líbia. « Não podemos ser ambiguos nesse caso », completou.

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