BEBETO CONTA BASTIDORES DE EUA X BRASIL, EM 1994

BEBETO CONTA BASTIDORES DE EUA X BRASIL, EM 1994

Jamil Chade

30 Maio 2012 | 07h06

 

Hoje, Brasil e Estados Unidos se enfretam em uma partida que, apesar de amistosa, é considerada como fundamental para a sobrevivência de Mano Menezes como técnico da seleção. Mas, na história recente do futebol brasileiro, ele não é o único que poderá dizer que o “soccer” definiu sua carreira na seleção. Em 1994, o lateral Leonardo passou por uma experiência similar, ainda que bem mais dramática.

Quem conta os bastidores daquele jogo, válido pela Copa do Mundo, é Bebeto, em entrevista que concedeu a esse blog. Foi dele o gol que classificou o Brasil para a próxima fase. Mas foi nos vestiários que o drama era mais explícito. Naquele ano, o Brasil acabaria com uma espera de 24 anos e venceria o Mundial pela quarta vez. Eis a entrevista:

P – Qual foi o jogo mais dificil da Copa de 1994…

R – De longe, o que mais foi complicado e o que mais tivemos à beira de um desastre foi a partida contra os Estados Unidos.

P – Porque…

R – Eles vinham de resultados relativamente positivos, tinham muita garra em campo, jogavam em casa e ainda era dia 4 de julho (independência dos Estados Unidos). Isso tudo os deu muita energia e fizeram de tudo para vencer. Não mediram esforços.

P – Como foi a partida…

R – Foi truncada. O gol não saia e viamos que muitos já começavam a ficar desesperados. Para piorar, tivemos a expulsão de Leonardo, que acertou o rosto do jogador americano. Justo o Leonardo, que jamais faria aquilo. Aquele momento foi duro e colocávamos a mão sobre a cabeça. Ninguém sabia o que ia ocorrer.

P – Como foi o diálogo com Leonardo naquele momento…

R – A expulsão ocorreu ainda no primeiro tempo. Leo foi para o vestiario. Alguns minutos depois, o primeiro tempo acabaria e lembro-me de entrar no vestiário e ver, no fundo de um chuveiro, Leonardo agachado, encolhido, chorando enquanto a água caia sobre ele. Ele ainda estava com o uniforme da seleção. Fui perguntar: Leo, cara, o que foi…Ele não parava de chorar e me dizia que ia ser culpado pela desclassificação do Brasil.

P – E o que você disse…

R – Tentei tranquiliza-lo e o prometi que faria um gol. Eu dizia: vamos ganhar, você vai ver. Não deu outra. No segundo tempo, Romário puxou um ataque e tocou para mim na direita. Consegui fazer o gol. Foi um alívio.

P – E como reagiu Leonardo…

R – Quando o jogo terminou, Leo pulava de alegria e me abraçava no vestiário. “Muito obrigado, muito obrigado”, dizia ele.