Blatter: saída de Ricardo Teixeira permitiu o diálogo entre Fifa e governo

Jamil Chade

24 Maio 2012 | 00h53

BUDAPESTE – Joseph Blatter, presidente da Fifa, não disfarçava o cansaço em sua voz. Em plena semana de Congresso da entidade, o cartola precisa provar que está tentando limpar a Fifa, que sua entidade tem credibilidade e ainda que a Copa do Mundo no Brasil vai acabar dando resutados. Tarefa, para muitos, quase impossível.

Em entrevista a dois meios de comunicação, porém, ele deixou claro nesta quarta-feira: Ricardo Teixeira era um obstáculo e sua saída permitiu que finalmente a Fifa e o governo estabelecessem uma “organização adequada” para a Copa do Mundo de 2014. Mesclando ataques indiretos e elogios rasgados, escolhendo cuidadosamente suas palavras e fazendo de tudo para não citar Teixeira nominalmente, Blatter fez questão de apontar que a saída do cartola da CBF e da organização do Mundial abriu uma nova fase na preparação do País e garantiu um canal de comunicação entre a Fifa e o governo. Suas declarações foram as primeiras de um alto funcionário da Fifa sobre Teixeira após sua saída.

Velhos rivais, ambos travaram uma verdadeira guerra, com o suíço ameaçando divulgar documentos secretos que, segundo a BBC, mostrariam que o brasileiro recebeu subornos. Para o lado brasileiro, a guerra não passava de uma disputa de poder para Blatter abrir caminho para seu aliado, Michel Platini, como presidente da Fifa em 2015, afastando uma eventual candidatura de Teixeira.

Eis alguns trechos da entrevista, concedida em uma das salas de um andar inteiro que a Fifa passou a ocupar em um hotel de luxo em Budapeste, onde ocorre sua reunião anual. A versão completa estará na edição desta quinta-feira do jornal O Estado de São Paulo.

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