Bombas fora do Maracanã, champanhe dentro da ala VIP

Jamil Chade

16 de junho de 2013 | 18h02

RIO DE JANEIRO – Fora do estádio, bombas, polícia, manifestantes, restrição para comerciantes e confusão. Já na ala VIP do estádio do Maracanã, políticos, convidados e cartolas servidos em talheres de prata, copos de champanhe e três variedades de prato quente.

Apesar da promessa de forte segurança, a reportagem do Estado conseguiu entrar no camarote presidencial do Maracanã para comprovar que não apenas a cerveja da patrocinadora era servida aos convidados mais especiais, mas também uísque escocês, champanhe francesa e vinhos de qualidade. “Aqui só tem coisa boa”, afirmou Anchieta, um dos garçons.

Na ala VIP, as regras da Fifa pareciam não ser aplicadas. Enquanto instrumentos musicais eram barrados nas arquibancadas, na ala dos convidados de honra, até mesmo um grupo de músicos mexicanos embalavam os VIPs, com violões e violinos.

No entorno do estádio, não eram poucos os comerciantes e donos de bares que se queixavam das regras da Fifa. Do lado oposto à rua onde está a estátua de Bellini, no Maracanã, donos de bares que existem na região há mais de 30 anos alertam que a proibição da venda de álcool duras horas antes do jogo e até o final da noite tem como único objetivo garantir o máximo de lucro para a patrocinadora do evento, Budweiser, que tem o direito de vender a bebida dentro do estádio.

“Para que vou ficar aberto para vender guaraná, coca e água”, resmungou um deles, que pediu para não ser identificado. Na porta do estabelecimento, colou a regra da prefeitura, ditada pela Fifa. “Olha isso aqui”, disse, apontando para o papel. “Se eu vender álcool terei meu bar fechado e serei multado. Só eles podem ganhar com a Copa”, atacou. Dentro do estádio, a garrafa de água custa R$ 6,00 reais.