Bósnia entra em campo para virar uma página em sua história

Jamil Chade

15 de junho de 2014 | 18h40

Rio – 20 anos depois da pior guerra na Europa nas últimas décadas, a Bósnia entra em campo para tentar virar uma página em sua história. E no centro desse novo capítulo está Edin Dzeko. Ídolo de um país que ainda tenta se reerguer, o atacante do Manchester City é um dos raros sinais de esperança para uma juventude ainda dividida e que precisa conviver com 60% de desemprego. A presença da Bósnia em sua primeira Copa também está sendo utilizada para tentar mostar ao mundo que caminha para uma estabilidade poliítica.

Dzeko é o próprio símbolo de uma juventude que atravessou uma guerra que deixou 250 mil mortos entre 1992 e 1995. O garoto morava em Sarajevo, epicentro do conflito. Mas sua casa seria bombardeada e ele teve de viver no porão de seus avõs, junto com outras 15 pessoas. Dezenas de seus amigos de infância morreram.

Ele mesmo por pouco não se transformou em mais uma vítima. Sua mãe o retirou de um jardim momentos antes de um morteiro atingir exatamente o local onde o garoto estava jogando bola.

Mas o percurso do garoto foi traçado em parte pela bola. Com dez anos, seu pai o mudou de colégio, procurando um lugar onde houvesse um campo. Tudo estava destruído.

Hoje, ele quer mostrar que uma sociedade, uma juventude e um país podem se apresentar ao mundo com um rosto positivo. Vendido em 2011 pelo Wolfsburg para o Manchester United por US$ 45 milhões, Edin assumiu um papel que poucos políticos ou embaixadores podem sonhar em ter: unir e dar esperança a um país ainda administrado com a ajuda da ONU e que tenta virar uma página de sua história.