Brasil tem maior número de assassinatos de jornalistas que Iraque e Afeganistão juntos

Brasil tem maior número de assassinatos de jornalistas que Iraque e Afeganistão juntos

Jamil Chade

02 de julho de 2012 | 09h20

O Brasil ocupa a 5ª posição entre os locais onde mais se assassinou jornalistas em 2012, mesma posição ocupada pela Somália, onde há uma guerra, e Paquistão, mergulhado na polêmica do terrorismo. Os dados foram publicados pela Press Emblem Campaign (PEC), entidade suíça que se dedica a defender a liberdade de imprensa. Segundo o levantamento, 72 jornalistas foram mortos pelo mundo nos seis primeiros meses do ano, num total de 21 países. O número é 33% acima dos incidentes registrados em 2011.

No total, seis jornalistas foram mortos no Brasil no primeiro semestre, o que levantou a indignação inclusive da ONU, que pediu publicamente para que as autoridades tomassem medidas concretas para garantir o trabalho dos profissionais.

Os números brasileiros ajudaram a transformar a América Latina na região mais perigosa para se trabalhar como jornalistas no mundo, superando até mesmo o Oriente Médio. No total, foram 23 mortes na região, com oito no México, quatro em Honduras, duas na Bolívia e uma ainda na Colômbia, Haiti e Panamá. O número de mortes de jornalistas no Brasil chega a ser superior ao do Iraque e Afeganistão, juntos.

O aumento global ocorre também por conta da intensificação de conflitos internos. No caso da Síria, foram 20 jornalistas mortos neste ano. No México, foram outros oito. Na avaliação do secretário-geral da entidade, Blaise Lempen, se a tendência for mantida, 2012 deve registrar o maior número de mortes de jornalistas de que se tem registro. No ano passado, foram 107 mortos no total.

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