Brasil terá pior taxa de crescimento dos Brics em 2012, segundo OCDE

Jamil Chade

27 de novembro de 2012 | 08h28

Dados revelados hoje pela OCDE apontam que a economia brasileira terminará 2012 com um crescimento de apenas 1,5%, abaixo da previsão do governo de uma expansão de 2%, inferior à média mundial e bem inferior aos demais países emergentes dos Brics.

Segundo as projeções, a economia mundial terá uma recuperação desigual nos próximos anos, com uma expansão em 2012 de apenas 2,9%. Mesmo assim, ela é quase duas vezes maior que a taxa registrada pelo Brasil no ano.

No caso dos emergentes, a desaceleração também é sentida. Mas as taxas são superiores às registradas no Brasil. Na China, o crescimento do PIB será de 7,5%, contra 4,5% na Índia e 3,4% na Rússia. No caso da África do Sul, a expansão será de 2,6%.

Mesmo a economia americana terá um ano mais positivo que o Brasil, com um crescimento de mais de 2%.

Na avaliação da OCDE, a recente onda de elevação de tarifas de importação poderá proteger de certa forma a indústria nacional, principalmente as menos competitivas. Mas a entidade alerta que, no médio prazo, essas barreiras ameaçam frustrar a competitividade do País e agravar problemas em determinados setores.

Em 2013, a previsão é de que o crescimento da economia brasileira será retomado, com expansão de 4%.

No restante do mundo, a OCDE soa o sinal de alerta e aponta para os riscos que a economia internacional enfrenta. Para a entidade, a maior ameaça para a economia é mesmo a Europa. O Velho Continente terá dois anos seguidos de recessão e apenas irá voltar a crescer em 2014.

No total, a entidade com sede em Paris reduziu a previsão de crescimento para 31 de seus 34 países no mundo desenvolvido.

 

Jamil Chade é correspodente do jornal O Estado de São Paulo na Europa desde 2000. Foi premiado como o melhor correspondente brasileiro no exterior em 2011, pela entidade Comunique-se. Com passagem por 67 países e mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Genebra, Chade foi presidente da Associação de Correspondentes Estrangeiros na Suíça entre 2003 e 2005 e tem dois livros publicados. « O Mundo Não é Plano » (2010) foi finalista do Prêmio Jabuti, categoria reportagem. Na Suíça, o livro venceu o prêmio Nicolas Bouvier. Em 2011, publicou “Rousseff”.

 

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