Casa Branca alerta que “protecionismo” brasileiro ameaça relação bilateral

Casa Branca alerta que “protecionismo” brasileiro ameaça relação bilateral

Jamil Chade

20 de setembro de 2012 | 13h26

Numa clara demonstração de insatisfação, o governo americano alerta o Itamaraty que a elevação de tarifas de importação ameaça a cooperação entre os dois países no campo comercial. Em uma carta enviada ao chanceler Antonio Patriota pela Casa Branca e obtida pelo Estado, o governo americano apela para que o Brasil reduza as medidas consideradas pelos americanos “protecionistas” e abandone a atitude vem adotando de elevar barreiras.

Confira a íntegra da carta:

A carta é datada de 19 de setembro e assinada pelo representante de Comércio do governo Barack Obama, Ron Kirk. Há duas semanas, o governo brasileiro anunciou a elevação de impostos de importação para cem linhas tarifárias, uma medida que já havia sido precedida por outras barreiras.

O Brasil insiste que tem o direito legal de elevar essas tarifas. Isso porque as tarifas aplicadas de fato no Brasil estão próximas de 12%, enquanto os compromissos internacionais do País na OMC apontam para um teto de 35%. O governo americano, porém, não ve a situação dessa forma e indica  que não está seguro que as tarifas estejam dentro dos limites.

Mas são as ameaças que marcam o tom da carta. “No que se refere à cooperação bilateral, estou preocupado que elevações de tarifas repetidamente e cada vez mais focadas nos Estados Unidos irão afetar a percepção sobre nossa cooperação mútua para facilitar o comércio em produtos industriais”, apontou Kirk.

O governo americano alerta que sabe que o Brasil está “examinando propostas” de novas elevações de barreiras ao comércio e aponta que a repercussão internacional dessa atitude pode ser negativa, assim como o impacto econômico. O governo americano chega a fazer uma outra ameaça velada, insinuando que se o Brasil seguir com essa política, outros países adotarão barreiras contra as exportações nacionais.

“Eu apelaria ao Brasil para reconsiderar recorrer a novos aumentos tarifários e retirar aquelas que já está aplicando”, pediu Kirk.

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