Como ajudar os refugiados?

Como ajudar os refugiados?

Jamil Chade

05 Setembro 2015 | 05h50

Nos últimos dias, tenho recebido emails, telefonemas e todo o tipo de contato de pessoas querendo saber como podem ajudar para aliviar o sofrimento dos refugiados.

Essa crise apenas vai acabar quando a guerra na Síria for encerrada. Quando o Sudão estiver em paz, quando a Eritreia sair do caos e quando a Somália tiver um governo de fato.

Mas, enquanto isso não ocorre, essas pessoas precisam de ajuda. Mais de 4 anos depois da eclosão da guerra em Damasco, o esforço humanitário já significou que o mundo gastou mais de US$ 10 bilhões para permitir que mais de 11 milhões de pessoas pudessem sobreviver.

E ainda assim não é suficiente. Para 2015, a ONU recebeu apenas 35% do dinheiro que estima ser necessário para alimentar e dar um abrigo aos refugiados sírios. Parece não faltar dinheiro para armas, mas para alimentos sim.

Portanto, para quem quer contribuir, recomendo essas duas organizações abaixo. Eis o link para as páginas que coletam doações:

ACNUR – O Alto Comissariado da ONU para Refugiados

http://donate.unhcr.org/international/europe-crisis/#_ga=1.18846267.34123087.1377616748

MSF – Médicos Sem Fronteira

https://soutenir.msf.fr/b/mon-don?gclid=CLf7r5–38cCFYoEwwodzQEIcg

A ajuda humanitária é fundamental. Mas não tenhamos a impressão de que isso seja a solução para a segurança internacional. Hoje, quando o mundo deveria comemorar 70 anos da criação da ONU, a realidade é que a diplomacia fracassou. E essa é a maior derrota.

Portanto, se queremos ajudar os refugiados, não há dúvidas de que mandar dinheiro é importante. Mas não podemos nos esquecer que existem outras maneiras. Elas dão mais trabalho. Mas certamente terão mais impacto no longo prazo e tem como objetivo justamente impedir que novas ondas de refugiados ocorram.

Eis a minha lista do que podemos fazer, como cidadãos, para contribuir:

1. Pressionar os governos que tem o poder de influenciar na região para que coloquem a Síria como prioridade em suas ações.

2. Cobrar nossos políticos sobre o que tem sido feito para mediar uma solução diplomática para a crise.

3. Condenar cada vez que um governo orgulhosamente aperta a mão repleta de sangue de um ditador com a intenção de defender algum tipo de interesse econômico que supostamente vai ajudar nosso país.

4. Cobrar que nosso governo pague sua dívida de mais de R$ 1 bilhão que tem com a ONU neste momento.

5. Não esquecer que temos no Brasil os “nossos sírios”. Também conhecidos como haitianos, bolivianos, angolanos e tantos outros….Eles também precisam de ajuda.

Tudo isso pode parecer distante. Mas garanto que, para os governos, a opinião pública conta. Lembro-me de ter recebido um telegrama confidencial da diplomacia brasileira detalhando um encontro de uma embaixadora com representantes do Irã. Na conversa, ela pedia um gesto de Teerã em relação aos direitos humanos e justificava: a opinião pública brasileira está nos cobrando.

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