CONTRA OS EFEITOS DA CRISE NA EUROPA, O EXÉRCITO

CONTRA OS EFEITOS DA CRISE NA EUROPA, O EXÉRCITO

Jamil Chade

14 Maio 2012 | 13h05

O governo italiano anunciou não descarta usar o exército para proteger empresas e autoridades que tem sido alvo de ataques de grupos que lutam contra o programa de austeridade. Nos últimos dias, empresas e instituições que se tornaram símbolos da nova crise que atravessa o país foram alvos de violência por grupos anarquistas. No domingo, o primeiro-ministro, Mario Monti, admitiu que o “tecido social da Itália estava sendo desfeito” diante da recessão.

Nos últimos dias, a agência de coleta de impostos, a Equitalia, te sido vítima de uma série de cartas-bombas, além de um ataque com coquetel Molotov e da invasão de um homem armado que fez vários refens dentro do escritório da entidade. Só em 2012, os novos impostos aprovados pelo governo de Monti exigirão que os italianos paguem 24 bilhões de euros extras em taxações, o que fez a frustração da população bater recorde.

A empresa de armamentos, Finmeccanica, tambem foi alvo de ataques e um de seus executivos chegou a ser baleado na perna. O ataque também teria sido cometido por grupos anarquistas.

Em entrevista ao jornal La Repubblica, a ministra do Interior, Annamaria Cancelieri, admitiu que o governo estuda o deslocamento de tropas para proteger tanto a agência de coleta de impostos quanto o conglomerado de defesa. “Qualquer ataque contra a Equitalia é um ataque contra o estado”,disse.

Giuseppe Orsi, diretor da Finmeccanica, deixou claro que espera que essa situação não signifique “um retorno ao passado”. Nos anos 70, as Brigadas Vermelhas conduziram uma série de ataques que acabou deixando o país em uma situação de tensão.

Monti, que admite que a crise pode se transformar em um problema social, apelou ontem aos italianos para que “não desistam” dos esforços de reforma. “O país está marcado hoje por uma forte tensão social”,afirmou, alertando que seria inevitável que o mal-estar na sociedade ganhasse novos contornos. Seguindo uma tendência já registrada na Grécia, uma série de tentativas de suicídio foram alvo de forte debate no país, diante de cortes de salários, de pensões e de postos de trabalho.

Em novembro, quando assumiu o governo, Monti chegava com a missão de acertar as contas italianas, depois de anos do governo de Silvio Berlusconi. Tinha 71% de aprovação. Hoje, seu apoio não passa de 38% e não seria eleito para nenhum posto no governo se concorresse às eleições. E não há sinais de que usar militares para proteger os símbolos da austeridade va ser a solução para trazer a paz social de volta ao país.