Controle de doping corre risco de ser « medíocre » no Rio, diz COI

Jamil Chade

11 de março de 2016 | 13h10

Em documentos confidenciais, entidade adverte para risco de Brasil não aprovar novas regras antidoping. Rio2016 garante que Dilma vai assinar decreto

 

Jamil Chade

 

GENEBRA – Em pleno escândalo de doping envolvendo atletas russos, o COI alerta que o contrôle sobre substâncias proibidas durante os Jogos do Rio de Janeiro poderá ser « medíocre » diante dos atrasos na preparação do Brasil para sediar o evento.

Documentos confidenciais obtidos com exclusividade pelo Estado apontam para preocupações do COI sobre o assunto. O informe é de 29 de fevereiro e assinado pelo diretor-geral da entidade, o belga Christophe De Kepper. Os documentos foram usados para as reuniões mantidas na semana passada em Lausanne para examinar a situação da cidade brasileira.

Para o COI, o laboratório de testes no Rio está « inteiramente operacional com as análises aperfeiçoadas e está no bom caminho para oferecer serviços completos durante os jogos ». A Agência Mundial Antidoping (WADA) havia retirado a credencial do laboratório carioca há dois anos, exigindo uma reforma completa das práticas.

Mas o problema, agora, seria político e por falta de uma legislação específica no Brasil para atender aos padrões do COI. « O laboratório corre o risco de perder sua credecial se as regras antidoping forem declaradas como não conforme ao Código (da WADA) até o dia 18 de março », alertou o Departamento Médico e Científico do COI. « Essa decisão é inevitável, salvo se uma lei brasileira for modificada para permitir colocar em práticas as regras em conformidade com o Código », indicou.

Em sua avaliação, o COI traça um cenário pessimista caso essa seja a realidade no dia 18 de março. « Se o laboratório perder sua credencial, todas as amostras devem ser transportadas a laboratórios situados em outros países para que a análise seja feita », indicou. « Isso provocaria não apenas grandes gastos, mas também atrasos. E, por consequência, o serviço oferecido aos atletas íntegros será medíocre », alertou.

Na Copa do Mundo de 2014, a Fifa foi obrigada a transportar cada uma das amostras de testes do Brasil para um laboratório em Lausanne.

No que se refere aos Jogos do Rio, porém, um dos principais temas será a credibilidade dos teste diante das revelações da Wada sobre a organização liderada pelo estado russo para camuflar casos de doping em seus atletas.

Decreto – Na semana passado, em Lausanne, o Comitê Rio2016 garantiu aos membros do COI que a questão seria « resolvida ». Três dias antes do prazo acabar, a presidente Dilma Rousseff pretende assinar um decreto presidencial aprovando as novas leis e que estabelecem, entre outras coisas, um tribunal exclusivo para casos de doping no esporte. Carlos Arthur Nuzman, presidente do grupo organizador, garantiu que « tudo estará pronto ».

O decreto, portanto, evita que Dilma tenha de submeter a lei à aprovação do Congresso antes dos Jogos.