Copa: a grande oportunidade perdida do Brasil

Jamil Chade

28 de junho de 2013 | 08h12

RIO – A revolução na infra-estrutura no Brasil tão prometida por políticos para justificar os gastos com a Copa do Mundo não ocorrerá, pelo menos não até 2014 quando o Mundial será realizado. Quem faz o alerta não é um manifestante nas ruas ou um opositor. O alerta é do próprio secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, que admite que, entre hoje e meados de 2014, não haverá tempo hábil para essa “revolução”.

 

Na quinta-feira, horas antes do jogo entre Espanha e Itália, eu, o jornalista Leonardo Maia e o fotógrafo Wilton Junior fomos recebidos para uma conversa de meia hora com o cartola francês em seu escritório montado em um hotel de luxo em Copacabana. Logo antes de entrar, fomos alertados que Valcke não responderia a perguntas sobre um amigo seu: Ricardo Teixeira.

 

Mas foi uma frase em toda essa conversa que me chamou a atenção imediatamente. Na realidade, a própria assessoria da Fifa que acompanhava a conversa também se surpreendeu com a declaração.

 

Quando eu questionei Valcke sobre os aspectos negativos da Copa das Confederações e o que teria de mudar até 2014 em termos de transporte e infra-estrutura para atender à demanda da Copa do Mundo, sua resposta foi reveladora: “não se fará uma revolução no Brasil entre hoje a Copa do Mundo”.

 

O que ele não diz é que tivemos seis anos – desde 2007 – para fazer essa “revolução”, além de R$ 28 bilhões até agora.

 

Foi no segundo semestre daquele ano que a CBF e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberam o direito de organizar o Mundial. Lembro-me da manchete de um jornal no dia seguinte que foi revelador: “Ganhamos a Copa. Agora, falta tudo”.

 

Na Fifa, a constatação é de que nada foi feito até 2010. Agora, depois de seis anos de preparação para o Mundial, o operador máximo da Copa admite, no fundo, que nem todas as obras trarão mudanças tão profundas como se falava em termos de transporte.

 

Isso derruba toda uma tese que o governo vem martelando na tecla de que não gastou apenas nos estádios e que, no fundo, será um catalisador para o desenvolvimento de obras que já eram necessárias.

 

A Copa ocorrerá. Mas, pelo jeito, sem ter cumprido sua missão de desenvolvimento. Ninguém duvida que a festa em campo será genial.

 

Valcke, depois de dizer que o Brasil merecia um chute no traseiro, lança mais uma de suas frases que entrará para a mitologia dessa Copa. Pena que a constatação é das mais sombrias para quem achava que os gastos permitiriam uma revolução na infra-estrutura do Brasil. Agora está claro: ela não vai ocorrer.

 

 Para ler a entrevista, acesso via link do Estadão: www.estadao.com.br