Copa de 2022 no Catar: Teixeira envolvido no escândalo

Jamil Chade

29 de janeiro de 2013 | 07h24

Ricardo Teixeira estaria implicado na compra e venda de votos para dar ao Catar a Copa do Mundo de 2022. Isso é o que revela a revista France Football que, em sua edição de hoje, traz uma verdadeira investigação sobre a ação do Catar para receber o Mundial. Entre os suspeitos de terem vendido seu voto está o ex-presidente da CBF e que, na época, era também uma das 24 pessoas dentro da Fifa que votou para a escolha das sedes.

A revista tem suas credenciais. A publicação é a parceira da Fifa em projetos como a Bola de Ouro, o prêmio de melhor jogador do mundo. Há dois anos, a escolha do Catar gerou polêmica. O país do tamanho do Distrito Federal foi considerado como apto para receber 64 jogos da Copa do Mundo em pleno verão no Oriente Médio.

Segundo a revista, um dos indícios seria o amistoso entre Brasil e Argentina, em novembro de 2010, justamente no Catar. Se a cada jogo a CBF recebia em média US$ 1,2 milhão, o Catar decidiu para aquele amistoso distribuir US$ 7 milhões ao brasileiro. Julio Grondona, presidente da Associação de Futebol da Argentina, também teria ficado com outros US$ 7 milhões. Um único amistoso, portanto, teria custado ao país árabe US$ 14 milhões.

Grondona, de fato, ainda teria recebido uma proposta do Catar para sanar as dívidas dos clubes argentinos, um presente de US$ 78 milhões.

Outra suspeita em relação a Teixeira é seu acordo assinado com os sauditas da ISE, dando à empresa o direito de realizar os amistosos da seleção brasileira por dez anos. Segundo a revista, a companhia na realidade seria uma empresa de fachada, com sede nas Ilhas Cayman. O acordo foi assinado, ironicamente, no Catar.

A enquete mostra que a ISE teria dado à Confederação Asiática de Futebol outros US$ 14 milhões para o “uso pessoal” de seu presidente, Mohamed Bin Hammam, do Catar e aliado de Teixeira. O brasileiro teria votado em Hammam para presidente da Fifa. Mas o árabe foi suspenso do futebol antes, após ter sido pego pagando propinas.

A investigação da revista revela ainda como diversos outros cartolas da Fifa foram agraciados pelo Catar com investimentos, construção de campos e escolinhas, promessas de alianças e até patrocínio. A revista chega a implicar até mesmo o presidente do Barcelona, Sandro Rosell, no esquema montado pelo Catar.

Para a revista, estaria na hora de a Fifa rever a votação e pensar em dar a Copa de 2022 a um outro país. Se isso ocorrer, os grandes favoritos seriam os EUA.

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