Crise mundial expulsou 62 milhões de pessoas do mercado de trabalho, diz OIT

Jamil Chade

20 de janeiro de 2014 | 09h32

GENEBRA – A crise internacional que começou em 2008 já fez 62 milhões de vítimas no que se refere aos postos de trabalho e fez o número de desempregados atingir pela primeira vez a marca de 202 milhões de pessoas, o equivalente à população inteira do Brasil. Segundo dados publicados hoje pela Organização Internacional do Trabalho, a recuperação da economia mundial não está sendo traduzida em criação de emprego.

Em 2013, 5 milhões de pessoas extras perderam seus trabalhos. O que mais assusta a OIT é que essa taxa vai continuar subindo até 2018, para um total de 215 milhões de desempregados.

Desde 2008, um volume extra de 32 milhões de pessoas está buscando trabalho, sem sucesso. Mas outras 30 milhões de pessoas simplesmente abandonaram o mercado de trabalho e desistiram de buscar empregos.

“A crise é muito séria”, declarou Guy Ryer, diretor-geral da OIT. “Precisamos repensar todas as políticas”, disse. “A crise não vai acabar até que as pessoas voltem a trabalhar. É ótimo que haja uma recuperação do sistema financeiro e que ele esteja mais seguro. Mas a definição de “fim de crise” é quando as pessoas voltam a trabalhar”, atacou.

Na América Latina, o impacto do desemprego mundial em 2013 foi considerado como “modesto”. Mas Ryder admite que, com as taxas reduzidas de crescimento do Brasil, o país pode ter sérias dificuldades para manter o ritmo de criação de postos de trabalho que vinha registrando nos últimos anos. “Será certamente mais difícil”, admitiu.

Outra preocupação da OIT é com o fato de que 13,1% dos jovens no mundo continuam sem emprego. No total, são 74,5 milhões de pessoas.

Mesmo entre os que estão empregados, a situação nem sempre é adequada. Segundo a OIT, 375 milhões de pessoas ganham menos de US$ 1,25 por dia. Outros 839 milhões ganham menos de US 2,00 por dia.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.