Crise promove um êxodo de mais de 100 mil europeus para a Am. Latina

Jamil Chade

05 de outubro de 2012 | 07h19

Um estudo publicado hoje pela Organização Internacional de Migrações (OIM) revela que 107 mil europeus deixaram o Velho Continente entre 2008 e 2009, no auge da crise, em busca de empregos na América Latina. O principal destino desses europeus foi o Brasil.

Muitos vieram com um propósito bastante claro: encontrar um trabalho e ajudar a familia que ficou na Europa. Em 2010, imigrantes europeus trabalhando na América Latina enviaram quase US$ 5 bilhões de volta a seus países de origem, em remessas, uma prática que até pouco tempo caracterizava a presença dos latino-americanos na Europa: trabalhar, economizar e mandar dinheiro de volta para a família que ficou no Brasil, Equador ou Bolívia.

No mesmo período, latino-americanos que vivem na Europa enviaram de volta a seus países de origem cerca de US$ 7,2 bilhões. Mas o fluxo de latino-americanos chegando à Europa despencou. Em 2006, antes da crise, 400 mil desembarcaram nos países europeus. Em 2009, esse número caiu pela metade.

Vivendo sua pior crise desde a Segunda Guerra Mundial, a Europa pena para criar postos de trabalho e vê salários despencar. Os espanhóis lideraram o êxodo no auge da crise, com 47,7 mil deles oficialmente deixando o país em busca de novas oportunidades na América Latina.

O perfil desses novos imigrantes é também bastante diferente do que se conhecia tradicionalmente no fluxo de trabalhadores. Grande parte dos 100 mil europeus eram portugueses e espanhóis, solteiros e com nível universitário completo.

A entidade promoveu o levantamento até o final de 2009, ano que registrou a maior queda no PIB mundial em mais de 60 anos. Mas os próprios autores admitem que o volume de imigrantes europeus continuou a aumentar entre 2010 e 2012, principalmente diante da taxa recorde de desemprego em Portugal, Grécia, Espanha e Itália.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: