Depois de ser espionada, UE quer unir forças com Brasil para pressionar EUA

Jamil Chade

28 de outubro de 2013 | 08h32

Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, defende ação conjunta

GENEBRA – A União Europeia quer trabalhar com o Brasil para estabelecer um entendimento sobre proteção de dados, depois que ambos foram alvos de ampla espionagem por parte dos Estados Unidos. Respondendo ao Estado, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, confirmou que o diálogo com o Brasil vai ocorrer.

“Com certeza falaremos com o Brasil”, disse Barroso. “Trabalharemos com todos os governos que estejam dispostos a encontrar uma solução para isso”, afirmou.

A meta da cooperação entre Bruxelas e Brasília seria justamente a de colocar pressão sobre o governo americano, mostrando que a indignação diante das revelações é ampla.

Hoje, a imprensa espanhola revela que as autoridades de espionagem americana monitoraram 60 milhões de chamadas telefônicas na Espanha. Isso depois que foi revelado que 35 líderes mundiais tiveram suas ligações espionadas. No caso de Angela Merkel, seu celular teria sido alvo de um monitoramento desde 2003.

Barroso, considerado como uma pessoa próxima dos EUA, não deixa de destacar que também irá buscar um acordo com a Casa Branca. Alemanha e França querem costurar um acordo com os americanos para estabelecer uma espécie de código de conduta. “Estamos trabalhando com os americanos sobre isso”, disse. “É uma questão que merece toda a nossa atenção e a cúpula dos líderes europeus se manifestou claramente sobre isso também.”

Já na ONU, em Nova Iorque, Brasil e Alemanha lançam uma iniciativa para a aprovação de uma resolução na Assembleia Geral das Nações Unidas.

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