Desastres naturais custaram “um Brasil” à economia mundial apenas no século 21

Jamil Chade

16 de maio de 2013 | 05h45

Desastres naturais apenas no século XXI já custaram à economia global o equivalente ao PIB do Brasil. Dados divulgados pela ONU apontam que a repercussão econômica de desastres está subestimada e que o que vem sendo publicado é apenas uma parte das consequências de terremotos, furacões e enchentes. No total, o impacto chegaria a US$ 2,5 trilhões apenas nos 13 primeiros anos do século.

As informações revelam, segundo os especialistas, a importância do setor privado em se preparar para ciclones e outros fenômenos naturais. Apesar ter seguros contra danos em fábricas ou produção não seria suficiente, já que o impacto indireto pode ser a perda de mercados por conta de uma interrupção prolongada.

Segundo a ONU, apenas ciclones e terremotos deixam um prejuizo anual de US$ 180 bilhões ao mundo desde 2000, enquanto a pesquisa mostra que apenas uma a cada seis empresas multinacionais tem planos de garantir uma produção ininterrupta em caso de desastre natural.

“Os custos dos desastres estão fora de controle”, declarou o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon. “Mas isso é inaceitável, já que o mundo tem o conhecimento suficiente para reduzir as perdas”, alertou.

O que preocupa os especialistas é que a conta dos desastres tem apenas aumentado. Isso porque, nos últimos 20 anos, multinacionais tem optado por diversificar sua produção e sair em busca de locais onde a mão de obra seria mais barata. O prolema é que esses são os locais também menos preparados para enfrentar desastres naturais.

Segundo as estimativas, 4,3% do PIB global está situado em regiões que com frequência são afetadas por ciclones tropicais.

Para países em desenvolvimento, esses desastres tem sido fatais para suas economias. Em Moçambique, as perdas com o clima em 2011 foram superiores aos investimentos externos recebidos pelo país naquele ano.

Na avaliação dos especialistas, investimentos em reduzir riscos podem ser a solução. Um dos exemplos foi o caso da operadora de energia da Nova Zelândia, a Orion, que investiu US$ 6 milhões em um plano contra terremotos. Quando o desastre ocorreu em Christchurch, a empresa economizou US$ 65 milhões.

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