Diamante bate recorde e é vendido por US$ 83 milhões

Jamil Chade

13 de novembro de 2013 | 18h21

Considerada como “maior tesouro natural” do mundo, diamante rosa se transforma na pedra mais cara da história

 

GENEBRA – Um diamante de quase 60 quilates foi vendido hoje por US$ 83 milhões, batendo todos os recordes de uma pedra na história. Em Genebra, um leilão realizado ela Sothebys estabeleceu a nova marca, num evento que, para quem passava uma porta giratória de um hotel de luxo tinha a impressão de que estava entrando em um universo paralelo. Para especialistas, trata-se do “maior tesouro natural” já visto no mundo. O valor anunciado não inclui impostos e a comissão da casa de leilão.

Num ambiente regado à champanhe, mulheres com casacos de pele, carros de luxo na porta, modelos, agentes financeiros e uma excitação única em torno dos valores milionários dos lances, o local que realizava o leilão em Genebra não dava qualquer sinal de que estava consciente de que a crise internacional era uma realidade ainda.

Horas antes do evento começar, uma fila de milionários já se formava no local e, bastou a forte segurança dar o sinal verde e a correria pelos melhores lugares esquecia momentaneamente os bons modos da elite mundial. A música clássica apenas abafava em diversas línguas que se falavam na sala, de hebraico a árabe sentados lado a lado.

Na sala lotada, o experiente leiloeiro David Bennett não disfarçava sua tensão, enquanto incentivava aqueles presentes e os contatos feitos por telefone em todo o mundo a apresentar seus lances.

Ao final, numa mistura de alívio, decepção para quem não ficou com a pedra e surpresa de praticamente todos diante do valor atingido, a sala explodiu em aplausos e gritos quando o martelo finalmente encerrou o leilão.

O diamante rosa batizado de “Pink Star”, a estrela rosa, foi descoberto ela empresa De Beers em uma mina na África do Sul em 1999 e, naquele momento, a peça bruta tinha mais de 120 quilates. Segundo o presidente da Sotheby na Suíça, David Bennet, a pedra era a maior já oferecida ao mercado com essas características de cor e pureza.

De fato, a pedra passou pela avaliação do Instituto Gemológico dos EUA (IGA), que a colocou no grupo mais raro dos diamantes, algo que engloba apenas 2% dos diamantes.

O antigo recorde havia sido estabelecido em 2010, quando outro diamante rosa foi vendido por US$ 46 milhões. “Essa pedra é de extrema importância, já que supera qualquer outra pedra rosa em coleções de estados, de monarquias ou de privados”, indicou Bennet. “Essa pedra supera qualquer indicador e é um dos maiores tesouros da natureza”, insistiu.

Apenas para que fosse talhada, a pedra levou dois anos. O trabalho coube à empresa Steinmetz. Em 2007, ela acabaria sendo adquirida por uma pessoa que optou por manter seu nome no anonimato. Isso depois que ela percorreu exposições e de ter sido classificada como “uma das sete grandes raridades do mundo”. Não por acaso, especialistas apontam que o leilão de tal peça deve ocorrer no máximo duas vezes em uma geração.

O leilão consolidou outro tendência cada vez mais presente: a concorrência realmente global por pedras que aparecem no mercado. “Não existem mais vendas locais ou leilões locais. Esses são eventos globais”, declarou Bennet. Além dos tradicionais compradores de Europa e EUA, as casas de leilões estão cada vez mais sentindo a presença de asiáticos e compradores do Oriente Médio.

 

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