Fifa tentou afastar Marin da presidente Dilma na abertura da Copa das Confederações

Jamil Chade

15 de junho de 2013 | 12h49

RIO DE JANEIRO – Um país unido, todos de mãos dadas para mostrar ao mundo o que o Brasil é capaz de fazer, dentro e fora de campo. Hoje, começa a Copa das Confederações. Não são poucos os que nos querem fazer passar essa idéia de que, a partir de agora, o que conta é bola, o bem da seleção, como se os jogadores fossem soldados em uma guerra e que nós, como bons patriotas, deveríamos apoiá-los e até mandar cartas para que se inspirem antes de entrar em campo. Mas, hoje, na ala VIP do estádio em Brasília, o mal-estar entre o governo e a CBF é uma realidade.

Segundo revelou a alta diretoria da Fifa a este blog, o presidente da CBF, José Maria Marin, seria colocado para sentar longe da presidente Dilma Rousseff. O plano era a de colocar a presidente sentada na companhia de Aldo Rebelo, ministro de Esportes, e de Joseph Blatter, presidente da Fifa. A manobra seria uma forma de evitar uma saia-justa e deixar claro a distância entre o cartola e a presidente.

Mas, ao contrário do que informou a Fifa, a Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto negou que tenha feito qualquer exigência e insistiu que a presidente é “convidada” na partida. Marin, ao contrário dos planos da Fifa, acabou sentado ao lado da presidente e conseguiu arrancar até uma foto com Dilma.

Mas a realidade é que, nos dias que antecederam a Copa das Confederações, o Palácio do Planalto e a Fifa deixaram a CBF na geladeira e excluíram o cartola de reuniões.

Ontem, numa base militar no Rio de Janeiro, a presidente Dilma Rousseff se reuniu por uma hora com Joseph Blatter, além do secretário-geral da entidade, Jerome Valcke, Aldo Rebelo, e o governador do Rio, Sérgio Cabral. Na agenda, os últimos detalhes para o que será o ensaio geral para a Copa do Mundo de 2014. E, nem assim, Marin foi convidado.

Marin ocupa tanto a presidência da CBF quanto do Comitê Organizador da Copa, teoricamente a entidade que deveria conduzir as obras. Em outras edições da Copa, em 2010 e 2006, a presença do organizador local era obrigatória nas reuniões, principalmente envolvendo chefes-de-estado.

Mas Marin não tem tido as portas abertas nem no Palácio do Planalto, que nunca o recebeu, e nem pela Fifa, que quer o cartola longe das atividades oficiais. As polêmicas em relação à ditadura militar e seu envolvimento com Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, seriam os principais motivos da geladeira. Fontes dentro da Fifa e do governo ainda insistem que o evento que começa hoje apenas conseguiu ser organizado depois que uma relação direta foi estabelecida entre governo e Zurique, marginalizando a CBF e a herança deixada por Ricardo Teixeira.

A posição de Marin se transformou nos últimos meses em uma espécie de rainha da Inglaterra. O governo chegou a fazer um trabalho de bastidor para gerar a queda do cartola da CBF. Mas, diante do risco de se abrir um período de incertezas ou ver subir ao trono alguém da mesma dinastia, a opção foi a de esvaziá-lo totalmente de poder de decisão.