Direto de Wembley: Meta da Alemanha é acabar com jejum de 24 anos e sair da Copa de 2014 com título

Jamil Chade

25 Maio 2013 | 11h38

LONDRES – Se o mundo inteiro estará olhando para os alemães hoje, em Wembley, cartolas, técnicos e mesmo parte do jogadores já estão planejando o futuro: acabar com o jejum de 24 anos da seleção nacional, sair do Brasil em 2014 com o tetracampeonato de futebol e quebrar um tabu de um europeu levantar a taça em um torneio na América do Sul, algo que jamais ocorreu.

O retorno da Liga dos Campeões a um clube alemão certamente era uma das grandes metas fixadas pelos gerentes do futebol alemão. O último vencedor havia sido o Bayern, em 2000. Mas cartolas que conversaram com o Estado apontaram que o grande objetivo é a Copa do Mundo no ano que vem.

“Estamos prontos”, declarou o presidente da Federação Alemã de Futebol, Wolfgang Niersbach, em entrevista à reportagem. “O segredo é que trabalhamos muito e agora podemos já dizer que somos um dos favoritos já para a vitória. Temos hoje um forte sentimento de auto-confiança”, declarou.

Phillip Lahm, capitão do Bayern, não esconde o favoritismo. “Estamos desenvolvendo um futebol muito bom na Alemanha, com clubes fortes e isso é positivo para a seleção. As coisas vão bem para a Alemanha”, disse. O técnico do Bayern  e que fez parte da geração de ouro do futebol alemão nos anos 70, Jupp Heynckes, não esconde seu entusiasmo. “O futebol alemão passa por um momento extraordinário”, disse.

Ao Estado, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, insistiu que o resultado dos clubes alemães era consequência de apostar em jogadores locais. “Esse é o desenvolvimento do futebol em países em que jogadores locais estão nos clubes. Você tem isso na Alemanha e tem isso na Espanha e não é uma surpresa que esses clubes sejam os melhores”, disse.

Os investimentos na última década foram pesados: US$ 1 bilhão na formação de jovens atletas, uma decisão que foi tomada em 2000 depois da campanha frustrante na Eurocopa. A ordem era a de ter paciência, não apelar a estrelas internacionais nos clubes, formar uma nova geração e, finalmente, disputar titulos.

O último título na Copa do Mundo ocorreu em 1990, na Itália. Desde então, a Alemanha sempre chegou longe nos Mundiais. Mas sempre saiu com um gosto amargo. A Alemanha perdeu para o Brasil na final de 2002. Em 2006, em casa, ficou em terceiro lugar. A Copa de 2010 era para ser a da renovação e jogadores jovens não tinham qualquer pressão para vencer. Surpreenderam e o time chegou em terceiro lugar.

Para 2014, ninguém esconde: os jovens de 2010 chegarão ao Brasil com experiência, maturidade e dispostos a frustrar as esperanças da Espanha de um bicampeonato ou da festa que a seleção brasileira espera gerar pelo país.  “Chegou a nossa hora”, disse o alemão.

Em entrevista ao Estado, o presidente da Uefa, Michel Platini, admite que as seleções europeias “farão de tudo para sair do Brasil com o titulo”. “Há um compromisso muito forte entre os europeus de que só a vitória interessa”, declarou. Mas minimiza a potência alemã. “Falta ainda um ano para a Copa e muita coisa pode ocorrer. Os alemães são fortes, mas os italianos também virão com força”, declarou.

Para o francês, porém, vencer na América do Sul é ainda um “enorme desafio”. “As seleções sul-americanas continuam, na minha opinião, sendo as favoritas. Será muito difícil vencer o Brasil ou a Argentina na Copa”, declarou. Na avaliação do cartola alemão, porém, chegou o momento de as estatísticas fazerem parte do passado. “Queremos ser o primeiro na Europa a vencer na América do Sul”, completou.