E se fizéssemos um referendo para a Copa?

Jamil Chade

25 de junho de 2013 | 12h55

RIO – Dilma Rousseff propôs um plebiscito para instalar uma Assembleia Constituinte específica sobre reforma política. Mas e se essa forma de consulta democrática ou um referendo tivesse sido realizada antes de o Brasil lançar sua candidatura para a Copa de 2014 ou Jogos Olímpicos de 2016? Qual teria sido o resultado? Qual, no fundo, seria a pergunta?

Na Suíça, as autoridades de um cantão propuseram organizar os Jogos de Inverno de 2022. Mas, antes de lançar sua candidatura, optaram por questionar à população que pagaria a conta final se estava ou não de acordo em bancar o evento.

O processo foi transparente. De um lado, os partidos e grupos que apoiavam o evento foram obrigados a divulgar dados e projeções para mostrar que o investimento valia à pena. Nesse processo, que obrigou uma transparência total dos custos, cada um dos cidadãos ficou sabendo exatamente quanto sairia de seu bolso.

De outro, os grupos contrários apresentaram aos eleitores os pontos negativos. Coube à população escolher.

No dia da eleição, o resultado foi categórico: os ricos suíços decidiram que o evento não se justificava e que não estavam dispostos a pagar. O tema foi encerrado, com toda elegância, os organizadores engavetaram a proposta e a vida seguiu normalmente.

Quem também optou pelo referendo foi a cidade de Munique, que esperava realizar os Jogos de Inverno de 2018. Uma vez mais, o evento ocorria com dinheiro público e nada melhor que consultar a população que vai pagar pela organização se estão dispostos a abrir o bolso.

Em 2011, o referendo foi realizado. Aqueles que queriam o evento tiveram de abrir todos seus livros, suas finanças e mostrar porque um cidadão de Munique deveria dar dinheiro para a candidatura.

De outro lado, grupos de oposição alertaram para os danos ecológicos das obras.

Nesse caso, o referendo terminou com um saldo favorável aos que defendiam o evento. Mas a margem foi pequena, 58% a favor, mesmo que a Alemanha não tenha recebido uma Olimpíada e concluído de forma exitosa desde a Era de Hitler. Nos anos 70, a Olimpíada de Munique acabaria sendo marcada por um ato terrorista.

E no caso do Brasil? Porque é que esse referendo jamais foi feito? Conversando com organizadores da Copa, eles insistem em dizer que haveria uma vitória do SIM caso essa votação fosse realizada.

Mas ainda assim eu questiono. Há uma diferença dependendo da pergunta que se faria. Tenho certeza que a seguinte pergunta teria um resultado favorável:

 

– Você aceita a realização da Copa de 2014 no Brasil?

 

 

Mas não sei se o resultado seria igual se a pergunta fosse a seguinte:

 

– Você aceitaria o uso de bilhões de reais dos orçamentos públicos para bancar uma Copa no Brasil, além da renúncia fiscal de R$ 1 bilhão para a Fifa e seus parceiros comerciais?

 

Bom, de repente um resultado que não agradasse aos cartolas levaria Pelé a repetir uma de suas célebres frases: “o brasileiro não sabe votar”.