E se trocássemos um Big Mac por um iPhone?

E se trocássemos um Big Mac por um iPhone?

Jamil Chade

16 de setembro de 2012 | 06h46

Por anos, economistas que tentavam comparar o custo de vida e o poder aquisitivo de diferentes sociedades usavam o Big Mac como unidade de referência. O sanduiche era um dos produtos considerados como globais e que, por princípio, era exatamente o mesmo em qualquer cidade do mundo. Um ranking foi estabelecido e usado e abusado por analistas.

Agora, um novo produto começa a se transformar no novo índice: o iPhone.

Para economistas, o celular seria um reflexo mais completo da renda de uma sociedade, dos impostos de importaçao numa economia, dos avanços tecnológicos e da capacidade de consumidores de um país de ter acesso ao mais novo modelo de comunicaçao. Assim como o Big Mac, o iPhone é global, único e é vendido por apenas um empresa. A diferença é seu valor agregado.

Segundo um levantamento feito na Suíça pelo UBS, considerando o salário médio no Brasil, um cidadao em Sao Paulo precisa trabalhar em média 106 horas para poder acumular um salário para comprar o celular da Apple. Em Zurique, a renda da populaçao permite que um iPhone seja adquirido em apenas 22 horas de trabalho, contra 35 horas em Tóquio. Por esse índice, a maior renda do mundo estaria mesmo em Zurique.

No Rio de Janeiro, sao necessárias em média 160 horas para gerar uma renda para comprar o iPhone. Já em Manila, uma pessoa precisa trabalhar 20 vezes mais que na Suíça para adquirir o celular.

O aparelho nao seria apenas um novo índice. Para o JPMorgan, o lançamento do novo modelo poderia até mesmo adicional 0,2 pontos percentuais na expansao do PIB americano no final deste ano. Isso por conta de sua venda e do dinheiro que entraria na economia

Já o Big Mac, ele nao deixou de existir. Um morador de Tóquio precisa de apenas nove minutos para ter uma renda para comprar o sanduíche, contra 39 minutos em Sao Paulo e 81 minutos em Nairobi, no Quênia.

Enfim, como muito bem apontou um leitor deste blog, o que nao muda é a disparidade social no planeta, seja qual for o índice utilizado. Enquanto alguns ainda acreditam que o “mundo é plano”, a realidade é bem diferente. E, entre as centenas de utilidade do iPhone, ele agora serve tambem para escancarar isso.

 

 

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