Em 5 anos de crise, 10 milhões de desempregados a mais na Europa

Jamil Chade

09 de abril de 2013 | 09h25

 O número de pessoas sem trabalho na Europa aumentou em 10 milhões desde a eclosao da crise financeira internacional e criando uma realidade que, para especialistas, já deve ser considerada como a maior crise social do bloco europeu desde a Segunda Guerra Mundial. Desde o início da crise em 2008, o número de desempregados passou de pouco mais de 16,1 milhões de pessoas no bloco para um total de 26,3 milhões.
Apenas nos últimos seis meses, um milhão de postos de trabalho foram destruídos, no que seria um dos sinais mais claros do impacto das medidas de austeridade adotadas por governos em todo o continente com vistas a lidar com suas dívidas. Os dados são da Organizaçao Internacional do Trabalho (OIT), que alerta que governos não devem achar que a população vai simplesmente assistir de forma resignada a destruição de postos de trabalho, sem uma reação.
Hoje, apenas cinco dos 27 países do bloco tem índices de desemprego iguais ou melhores que em 2010: Áustria, Alemanha, Hungria, Luxemburgo e Malta. Os casos mais dramáticos são justamente dos países que foram socorridos por programas de resgate da UE e do FMI e que, em contrapartida, exigiram cortes em investimentos, em salários e outros gastos sociais.
Grécia, Espanha, Portugal e Chipre encabeçam a lista onde o desemprego é mais elevado, com taxas de até 26%. Só na Espanha são 5 milhões de desempregados.
O que mais assusta a OIT é que, se em 2010 e 2011 houve uma certa estabilização, 2012 voltou a marcar um aumento drástico no número de demissões. No bloco europeu, a taxa de desemprego atingiu a marca de 10,9%. Contando apenas os 17 países que usam a moeda única, o índice chega a 12%, o maior da história do bloco.
Um dos aspectos mais preocupantes, segundo a OIT, é a situação. Um a cada quatro jovens europeus está sem trabalho. Na Grécia, essa taxa chega a 58%, equivalente aos índices de países africanos em plena crise. Na Espanha, a taxa é de 55%.
Outro fenômeno que preocupa: a população está sem trabalho há um tempo cada vez mais longo, transformando o desemprego em um problema estrutural para muitos países europeus. Em 19 deles, 40% dos desempregados não conseguiu encontrar um trabalho nos ultimos doze meses.
Para a OIT, os resultados do levantamento revelam que governos europeus precisam admitir de uma vez por todas que não apenas a austeridade não funcionou, como as economias terão de ser radicalmente transformadas para voltar a gerar postos de trabalho.  “As políticas implementadas não estão lidando com a raiz da crise”, indicou a OIT num documento entregue aos 27 países europeus ontem. Segundo a entidade, não resta dúvidas de que dívidas precisam ser atacadas. Mas a atual estratégia está fracassando.

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