Engenheiros alertam para riscos para a segurança nas obras da Copa já em 2010

Jamil Chade

02 de dezembro de 2013 | 07h12

GENEBRA – Técnicos estrangeiros que trabalharam para os organizadores da Copa do Mundo nos últimos anos monitorando as obras de estádios no Brasil alertaram já em 2010 que um eventual atraso nas obras das arenas poderia colocar em risco a segurança, justamente por forçar as empresas a acelerar os trabalhos e ignorar certas normas técnicas para garantir a entrega dos estádios dentro do prazo.

A Fifa entra em uma semana decisiva hoje e deve se pronunciar finalmente sobre a situação do estádio de Itaquera, que na semana passada viveu um acidente que matou duas pessoas. Hoje, na Bahia, a entidade reúne seu Comitê Executivo e deve manter São Paulo como abertura da Copa do Mundo. Mas as pressões internas e externas são significativas e a direção da entidade argumentou que, antes de tudo, iria ver a perícia sobre o acidente para se pronunciar.

Mas a realidade é que o acidente deixa a entidade numa situação constrangedora. A Fifa já vinha sendo pressionada por sindicatos europeus e associações de direitos humanos pelas condições de trabalho nas obras no Catar para a Copa de 2022, e que também já teria deixado mortos. Agora, a situação em São Paulo promete aumentar a cobrança sobre Joseph Blatter.

Segundo revelou a este blog engenheiros que trabalharam para a organização nos últimos anos, o cenário de um acidente era justamente o que se temia quando os primeiros atrasos graves começaram a surgir. “Não foi uma vez só que dissemos isso”, declarou um dos técnicos que já não mais atua na Copa e que falou à reportagem na condição de anonimato por temer represálias.

“Temíamos por pelo menos dois aspectos. O primeiro era de que, com obras aceleradas, trabalhadores pudessem sofrer algum dano. O outro risco era a de que algo pudesse ocorrer durante um jogo da Copa, o que seria um desastre mundial”, explicou.

Segundo os técnicos, quando ficou decidido em meados de 2010 de que o Morumbi estava fora da Copa, um dos alertas feitos foi justamente de que as obras do novo estádio precisariam começar imediatamente, o que não ocorreu.

Em outros locais, como Natal, Cuiabá e Curitiba, o tema também foi alvo de um debate entre técnicos nos anos seguintes.

A situação do Maracanã também chamava a atenção, principalmente por conta do uso do estádio para a Copa das Confederações. “Chegou-se a propor que, por uma questão de segurança, o estádio no Rio não fosse usado em 2013”, confessou a fonte.

 

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