Entre a Cruz, o Minarete e os Bancos Suíços

Jamil Chade

03 de dezembro de 2009 | 14h25

GENEBRA – No último fim de semana, a população suíça aprovou uma lei que proíbe a construção de minaretes em mesquistas no país alpino. A decisão gerou críticas de todos os lados. Vaticano, União Européia, líderes religiosos no Egito e Indonésia condenaram a decisão. Para a ONU, trata-se inclusive de uma violação aos direitos de liberdade religiosa.

Mas quem fez a ameaça mais dura até agora foi o governo turco. A idéia proposta por Ancara tiraria o sono de qualquer suíço: pedem a todos os muçulmanos que retirem suas fortunas dos bancos de Genebra e Zurique. A Suíça guarda um terço das fortunas privadas do planeta, cerca de US$ 3 trilhões. Uma parte importante é do mundo árabe.

“Estou certo de que esse voto irá fazer com que nossos países irmãos do mundo muçulmano repensem a idéia de deixar seus dinheiros e investimentos em bancos suíços”, afirmou o ministro Egemen Bagis, em entrevista ao jornal turco Zaman. Bagis é o ministro encarregado de negociar a adesão da Turquia à União Européia, um projeto hoje que não passa de uma ilusão.

“Em 2008, quando os bancos em todo o mundo estavam entrando em falência, não vimos nenhum banco turco sofrer qualquer problema”, disse.

Mais de 57% dos eleitores na Suíça votaram por banir os minaretes. A decisão assustou o Vaticano, que agora teme que suas igrejas em países muçulmanos sejam atacadas.

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