Espanha: festejando o que…

Espanha: festejando o que…

Jamil Chade

10 de junho de 2012 | 15h46

 

 

A foto do jornal El País de hoje diz tudo. Na ponta direita, Mariano Rajoy, presidente do governo da Espanha. Na esquerda, o príncipe Felipe. No centro, o presidente da Federação Espanhola de Futebol, Don Villar, aquele que há um ano afirmou que não existia corrupção na Fifa.

Tudo parece uma festa. A Espanha marca um gol e empata o jogo de sua estreia na Eurocopa.

Logo antes de sair de Madri em direção à Gdansk, onde a partida ocorreu, Rajoy fez a declaração que pode marcar sua vida: “Vou a Eurocopa depois de ter resolvido a situação”.

Como assim, resolvido…

O país não sabe exatamente ainda o que terá de fazer para receber o dinheiro, o desemprego está a 24%. Mais da metade dos jovens estão sem trabalho e a dívida pública é maior do que se imaginava. O PIB voltou a entrar em recessão, a monarquia está cada vez mais questionada e até o Barcelona já não é mais imbatível.

O resgate da UE para a Espanha não virá como uma loteria. Obviamente o governo fez de tudo para tentar abafar isso. Bancos receberão o dinheiro. Mas, se houver falências ou se esses bancos não conseguirem dar de volta o dinheiro emprestado, quem pagará a conta será o estado. Ou melhor, o contribuinte espanhol, o mesmo que já teve seu salário reduzido.

Rajoy pode fazer todos os esforços do mundo para tentar vender a ideia de que, hoje, a Espanha foi salva e a crise acabou. Mas difícil será convencer o resto da população disso.

No fundo, é melhor que ele use esse dia ensolarado de primavera europeia para comemorar. Afinal, nenhum governo que pediu resgate da Europa jamais sobreviveu no cargo. Mas isso é só um detalhe. No fundo, está mesmo “tudo resolvido”.

 

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