EUA exigem mudanças na Fifa para lançar candidatura para receber a Copa

Jamil Chade

22 Maio 2014 | 06h05

Em São Paulo, Fifa vai começar a repensar o processo de escolha das futuras sedes de Copas do Mundo

GENEBRA – Os EUA colocam a Fifa contra a parede e alertam: só vão apresentar uma candidatura para sediar a Copa de 2026 se a entidade mudar de forma radical a votação para a escolha das sedes e se houver transparência sobre quem votou em qual país. Em São Paulo, na semana que vem, dirigentes de todo o mundo se reúnem antes da Copa do Mundo e o debate sobre o futuro da Fifa e dos Mundiais estará no centro da mesa.

Em 2015, o processo para a escolha da nova sede da Copa deveria começar e, em 2017, a Fifa precisaria anunciar a sede de 2026. Mas não existe um acordo sobre como o processo será conduzido. Joseph Blatter, o presidente da Fifa, já fez parte da reforma. Até agora, quem escolhia a sede era o Comitê Executivo da entidade, com apenas 22 membros. A partir da Copa de 2026, todas as 209 federações do mundo poderão votar.

Mas, para seus críticos, isso não é suficiente. Os países da América do Norte já indicaram que acreditam que o sistema de rotação entre os continentes deve ser recomeçado, o que significaria que a região teria prioridade. EUA, México e Canadá admitem o interesse em sediar a Copa.

Mas, para Sunil Gulati, o presidente da US Soccer (a CBF americana), os americanos não entrarão na corrida se a Fifa não reformar ainda mais o processo de escolha.

Os americanos perderam a Copa de 2022 para o Catar. Em Zurique, o ex-presidente Bill Clinton percorria os corredores da Fifa em 2010 na esperança de convencer os cartolas. Mas nem o milionário mercado americano foi suficiente para obter votos. “Não vamos nos candidatar se as regras não mudarem”, alertou.

Mudanças – Gulati quer duas modificações importantes. A primeira é a de exigir que o informe técnico que a Fifa faça sobre cada candidato seja considerado de fato na votação final. O Catar, por exemplo, foi o último colocado na avaliação de 2010 e, mesmo assim, foi o escolhido.

Além disso, o americano exige que os votos sejam abertos e que o mundo possa saber quem votou por quem. No caso da votação para a escolha da Copa de 2018 e do Mundial de 2022, a votação foi secreta.

A cartada dos EUA pode parecer irrealista diante das atitudes da Fifa. Mas, dentro da entidade, a sensação é de que o golpe dos americanos pode representar a abertura de um debate importante. Gulati é um dos membros do Comitê Executivo da Fifa e vai tentar levar o assunto adiante em São Paulo, na semana que vem.

Para as empresas multinacionais que patrocinam a Copa, voltar aos EUA depois de 30 anos (a última Copa lá ocorreu em 1994) também faria todo sentido econômico, depois de passar pela Rússia e pelo minúsculo Catar. Hoje, os americanos estão entre os torcedores que mais compram entradas para as Copas, colocam seus jogadores em diversos campeonatos e a MSL (a liga americana) começa a movimentar muito dinheiro.