Europa entra em sua recessão mais longa

Jamil Chade

15 de maio de 2013 | 06h27

Dados divulgados hoje em Bruxelas apontam que o primeiro trimestre de 2013 registrou mais uma contração do PIB europeu, tornando a atual recessão a mais longa desde que os dados começaram a ser coletados para todo o continente de forma unificada desde 1995.

Segundo os dados,  os países que usam o euro sofreram uma contração de 0,2% em suas economias, pior que as perspectivas do mercado. A França voltou a cair em recessão – a terceira em quatro anos – e países como Finlândia, Espanha, Holanda e Itália também seguiram esse caminho.

As informações oficiais também destacam que a recessão atual já é mais prolongada que a de 2009, quando a economia mundial teve seu pior ano em sete décadas. No total, já são 18 meses de contração do PIB europeu.

O resultado tem sido bem mais profundo que um mero nervosismo nos mercados. Hoje, 19 milhões de pessoas estão sem trabalho na zona do euro, a pobreza voltou a fazer parte do debate, empresas continuam a fechar suas portas e governos não sabem o que fazer para ao mesmo tempo se manter no poder e dar uma resposta à crise.

A recessão só não é mais profunda porque a maior economia do bloco – a Alemanha – conseguiu crescer em 0,1% no trimestre.

O Banco Central Europeu chegou a cortar uma vez mais suas taxas de juros, na esperança de dar fôlego à economia do bloco. Mas de pouco adiantou.

Nos governos, a ideia de que a austeridade seria o remédio para a crise também parece ganhar cada vez mais resistência. Mas, pelo menos por enquanto, o problema é que nenhuma alternativa foi encontrada para anos de irresponsabilidade fiscal, queda de competitividade e um sistema financeiro que levou o continente a sua pior crise desde a Segunda Guerra Mundial.

 

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