EXCLUSIVO: ASSAD TENTA AMENIZAR RELATÓRIO DE BRASILEIRO SOBRE MASSACRES

EXCLUSIVO: ASSAD TENTA AMENIZAR RELATÓRIO DE BRASILEIRO SOBRE MASSACRES

Jamil Chade

25 de junho de 2012 | 08h50

 

Num esforço desesperado para evitar uma condenação, o governo da Síria recebe neste momento em Damasco o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, indicado pela ONU para investigar os crimes no país árabe e apresentar nesta quarta-feira um relatório completo do massacre de Hula, que fez 108 mortos.

Pinheiro, como o Estado antecipou, viajou no fim de semana, em uma missão mantida em total sigilo pela diplomacia brasileira e mesmo pela ONU, alegando considerações de segurança envolvendo Pinheiro.

O resultado de sua investigação promete colocar ainda mais pressão sobre o regime de Bashar Al Assad. Há pouco mais de um mês, o vilarejo de Hula foi alvo de um massacre que chamou a atenção internacional. Dos 108 mortos, 90 eram crianças e mulheres. A ONU chegou a apontar que os responsáveis eram membros de milícia pró-Assad. Damasco denunciou o que chamou de “obra de terroristas”.

Agora, os sírios estariam tentando dar indícios a Pinheiro de que o cenário não seria tão simples de apresentar uma acusação contra o governo. Para funcionários da ONU, a esperança clara de Assad é a de amenizar as críticas que o brasileiro poderá fazer.

Pinheiro viajou sozinho e não foi acompanhado pelo restante da comissão de enquete montada pela ONU, com um total de três especialistas. A decisão de Pinheiro de aceitar a ida à Síria significa ainda uma mudança considerável em comparação a seu próprio comportamento no ano passado.

Damasco, em 2011, o convidou na condição de brasileiro a visitar o país antes da elaboração de outro relatório. Mas Pinheiro rejeitou, alegando que só iria com toda a comissão de enquete criada pela ONU. Agora, Pinheiro negociou os termos de sua viagem. Mas aceitou ir sozinho.

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