Favorito para presidir COI insinua que Rio não deve usar nome “Havelange” em estádio

Jamil Chade

09 de maio de 2013 | 09h45

Thomas Bach, um dos principais dirigentes do COI e amplo favorito para ser o próprio presidente do movimento olímpico em setembro, insinua que os organizadores dos jogos olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro não deverão usar o nome “João Havelange” no estádio olímpicos que sediará o evento.

Pelos planos, o Engenhão seria usado em 2016 como estádio olímpico. Seu nome oficial, porém, é “Estádio João Havelange”, o que tem gerado duras críticas no exterior por conta das revelações sobre o ex-cartola brasileiro.

Havelange abandonou o COI há um ano, uma semana antes de a organização tornar pública uma investigação sobre sua atuação como presidente da Fifa e o fato de ter recebido R$ 40 milhões em propinas durante anos. Há uma semana, a própria Fifa admitiu em um documento oficial que Havelange recebeu os pagamentos ilegais e fraudou a entidade.

O brasileiro, também para evitar punição e continuar recebendo sua aposentadoria, renunciou de seu cargo de presidente de honra da Fifa dez dias antes do anúncio de sua corrupção, em um final melancólico.

Agora, uma das últimas homenagens ao cartola também poderá acabar. Hoje, Bach lançou oficialmente sua candidatura para liderar o COI, em eleições que ocorrem em quatro meses.

Questionado pelo Estado sobre o que ele achava de o Engenhão levar seu nome oficial em homenagem ao ex-presidente da Fifa, Bach lançou seu desafio aos organizadores do evento no Rio de Janeiro.

“Vamos continuar com a política que temos no COI de tolerância zero em relação à corrupção”, disse. “Isso é algo positivo para a credibilidade dos Jogos Olímpicos”, disse.

Diante da primeira resposta vaga, o Estado voltou a perguntar: “mas o sr. se sentiria confortável em ver o seu evento em 2016 em um estádio com o nome Havelange ou não”.

Bach foi então mais claro. “Eu já dei minha resposta e acho que você pode tirar sua conclusão disso”, declarou. “Por enquanto, não existe um estádio olímpico. Ele só existirá em 2016 e espero que os organizadores respeitem as exigências éticas estabelecidas pelo COI”, completou.

 

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