FIFA DEVE ADOTAR HOJE TECNOLOGIA PARA DETECTAR SE BOLA ENTROU OU NAO

Jamil Chade

05 de julho de 2012 | 06h32

A eterna polêmica se uma bola entrou ou não está com suas horas contadas. O uso da tecnologia para identificar se uma bola cruzou ou não a linha do gol poderá ser aprovado hoje pela International Football Association Board, a entidade guardiã das regras do jogo. Em um encontro hoje na Fifa, a organização deve dar o sinal verde para o que pode representar uma revolução no futebol. Se aprovada, a tecnologia já será usada no campeonato inglês no próximo ano e incorporada nos estádios brasileiros para a Copa de 2014, um custo suplementar para os organizadores.

Dois sistemas foram amplamente testados – o Hawk-Eye e GoalRef – e cientistas teriam dado o sinal verde para o uso da tecnologia, que já faz parte de outros esportes como o tênis.

Mas os cartolas vão fazer um alerta hoje: a tecnologia deve ser usada para ajudar os árbitros, e não para ser o fator decisivo. Ou seja, um árbitro em campo é a autoridade máxima, e não a máquina. Se optar por apitar uma decisão diferente da que a tecnologia apontou, será sua interpretação que contará.

A adoção da tecnologia promete levar alguns anos para chegar a todos os torneios do mundo. Isso que não apenas a instalação custa caro, mas as bolas terão de conter um chip especial. Ou seja, um jogo não poderá ser disputado com qualquer bola. A polêmica envolve ainda patentes, já que as empresas que desenvolveram a tecnologia seriam as detentoras dos direitos. Se o campeonato inglês não tem problemas financeiros para instalar a tecnologia, outros não teriam como adotar os instrumentos em estádios no interior da África, Ásia ou da América do Sul.

Esse é um dos motivos que faz o presidente da Uefa, Michel Platini, apelar para que a Fifa adie qualquer decisão. Segundo ele, isso criará um forte desequilíbrio entre torneios. Platini ainda teme o fim do poder do árbitro e a necessidade de parar o jogo para ver o que diz a tecnologia. Os cientistas, porém, garantem que o relógio instalado no pulso do árbitro permitirá que ele tenha a informação sobre o gol milésimos de segundo depois de a bola cruzar a linha.

Uma situação mais delicada vive o presidente da Fifa, Joseph Blatter. Por anos, ele foi um forte opositor do sistema. Mas, em 2010, a entidade mudou radicalmente de opinião quando um juiz não viu que um chute de Lampard havia cruzado a linha do gol e que a Inglaterra havia marcado seu segundo gol contra a Alemanha na Copa do Mundo.

Há duas semanas, um gol legítimo da Ucrânia contra a Inglaterra na Eurocopa também não foi visto pelo árbitro e tirou os anfitriões do torneio.