FIFA ESCOLHA SUA PRIMEIRA CARTOLA MULHER, MAS DECISÃO VIRA ALVO DE DISPUTA POLÍTICA

FIFA ESCOLHA SUA PRIMEIRA CARTOLA MULHER, MAS DECISÃO VIRA ALVO DE DISPUTA POLÍTICA

Jamil Chade

22 Maio 2012 | 07h37

Hoje, a Fifa anunciou o que deveria ser uma decisão histórica. Pela primeira vez em mais de 100 anos, a entidade contará em sua cúpula com uma mulher entre os dirigentes esportivos.

Mas a escolha se transformou em uma guerra política. Joseph Blatter havia feito a promessa há um ano, quando tentou abafar uma crise na entidade. Na época, disse que traria ao Comitê Executivo uma mulher relacionada com o futebol feminino. Não seria por acaso: a modalidade começa a ganhar popularidade e gera já dinheiro para a Fifa, algo que não era o caso nas últimas décadas.

Mas a escolha de Blatter foi política, e não esportiva. A pessoa indicada será Lydia Nsekera, presidente da Federação de Futebol do Burundi. A princípio, uma sinalização com sensibilidade. Uma africana, de um país pobre e fora do eixo Europa-EUA-Japão, onde o futebol feminino ganha força. Melhor ainda: a única mulher presidente de uma federação nacional de futebol.

O problema é que, ao escolher Lydia, Blatter simplesmente dá a maioria absoluta de votos dentro do Comitê Executivo da Fifa para duas confederações:África e Europa. Qualquer decisão que for colocada sobre a mesa, basta o voto das duas confederações e a proposta é automaticamete aprovada. Não por acaso, Michel Platini, presidente da Uefa e protegido de Blatter, se apressou em apoiar o nome da africana.

A Concacaf questionou a decisão em uma reunião ontem, por conta do desequilíbrio nos votos futuros da entidade. Questionei então a um delegado da Fifa que estava na sala para saber qual havia sido a posição da Conmebol diante da perda de poder diante da aliança Europa-África. O delegado apenas comentou: Nicolas Leoz, presidente da entidade sul-americana, não estava sintonizado no debate no momento.