Fifa oferece menos de 0,01% da renda da Copa para proteger tatu-bola

Jamil Chade

17 de junho de 2014 | 10h01

Entidade confirma que ong ambiental se recusou a aceitar o valor oferecido e negociação fracassou

 

Rio – A Fifa oferece menos de 0,01% da renda da Copa do Mundo para ajudar na proteção do tatu-bola e as negociações com a ong que se ocupa da preservação do animal terminam sem um acordo.

O tatu-bola foi escolhido como mascote da Copa e comercializado como “Fuleco”. O produto foi registrado e parte substancial de sua renda vai para a Fifa.

A ideia de usar o animal como mascote foi da Associação Caatinga. Mas a promessa da Fifa era de que parte dos lucros com a venda dos produtos seria revertida em um programa ambiental para a proteção do animal.

Algumas estimativas apontam que, só no Brasil, as vendas do Fuleco vão gerar uma renda de mais de R$ 30 milhões para os fabricantes.

Na Fifa, fontes revelaram ao Estado que a ong pediu um valor “excessivo” para a entidade e os cartolas acabaram se recusando a elevar sua proposta. O Estado apurou que o pedido era de que a Fifa destinasse US$ 1 milhão para a preservação do animal.

A oferta foi de apenas US$ 30 mil por ano, durante uma década. O valor é inferior aos gastos diários da cúpula da Fifa em hotéis de luxo no Rio de Janeiro. Só a cerimônia de abertura custou R$ 18 milhões e foi amplamente criticada. O sorteio da Copa na Bahia, no final de 2013, teve um custo de R$ 20 milhões. A Copa terá uma renda recorde, com um ingresso para a Fifa de mais de R$ 10 bilhões.