Filha de Ricardo Teixeira ainda tem cargo de destaque na Copa do Mundo

Jamil Chade

07 de julho de 2013 | 17h51

GENEBRA – A Copa das Confederações e a reta final dos preparativos para a Copa do Mundo aparentemente ocorreram com duas grandes ausências: a de Ricardo Teixeira e Joao Havelange, a dupla que comandou o futebol nacional e a própria Fifa por um quarto de século. Ambos foram obrigados a se afastar do futebol diante das acusações de corrupção e da declaração da Justiça suíça de que teriam fraudado a própria Fifa em milhões de dólares.
Mas a realidade é que, apesar do afastamento, a família não está totalmente fora dos grandes eventos no País. Na direção de todas as atividades de promoção da Copa, dos eventos paralelos, das festas de abertura e encerramento e todas as cerimônias de sorteio está uma herdeira dessa família: Joana Havelange. Neta de Joao Havelange e filha de Ricardo Teixeira, Joana é quem comanda todo um departamento de Eventos do Comite Organizador Local da Copa do Mundo.
Só na Copa das Confederações, o que ela gastou para as festas de abertura e de encerramento foi bem superior ao que a CBF recebeu em prêmios da Fifa por ter conquistado o torneio. Foram R$ 7 milhões para abertura e mais R$ 7 milhões para o encerramento, que contou com Ivete Sangalo e Jorge Ben Jor. O ato antes do jogo da final, que não foi assistido por nenhuma autoridade do governo federal, acabou sendo marcado por um protesto em pleno gramado do Maracana. Já o prêmio para a seleção ficou em R$ 8 milhões.
Joana, de 36 anos, assumiu o cargo quando seu pai, Ricardo Teixeira, era ainda o presidente do Comite Organizador Local. Desde então, tem sido mantida à distância da imprensa. Durante o evento no Rio, a reportagem do Estado chegou a encontrá-la, descontraída na ante-sala de uma reunião da Fifa. Mas foi seca ao trocar apenas um “bom dia” com o repórter ao ser apresentada pelo CEO do Comitê, Ricardo Trade. A ordem dentro do COL é clara: Joana nao da entrevistas, já que sua função não exige isso.
Com pós-graduação em marketing, Joana já havia organizado dois campeonatos mundiais de futebol de areia, promovidos pela Fifa. Mas seu sobrenome também pesa.
Afinal, muitos daqueles que hoje estao em posição de decisão na Fifa ou no COL foram colocados lá graças a seu pai ou a seu avô. A começar por um certo Joseph Blatter, o próprio presidente da Fifa.
Durante a Copa das Confederações e diante dos protestos no Brasil, o cartola suíço demonstrou sua fidelidade à famìlia. Ele encontrou tempo para jantar no Rio de Janeiro com Havelange, seu mentor e seu chefe por mais de uma década. “Ele está lúcido”, disse Blatter ao Estado. “Ele me convidou para seu aniversário de 100 anos em 2016”, contou. A Fifa insistiu que o encontro foi privado e não deu satisfação sobre o motivo da conversa entre o presidente que promete limpar a entidade da corrupção e o principal pivô de todo o escândalo.
Há menos de um mês, o presidente da Uefa, Michel Platini, confirmou ao Estado que a saída de Havelange da Fifa havia sido acertada em um “acordo” com Blatter. Ao deixar a entidade, Havelange impede que qualquer novo processo seja aberto contra ele.
Oficialmente, o cargo de Joana tem um nome pomposo: diretora executiva de Planejamento Estratégico e Suporte a Operações. Na prática, ela é a responsável por organizar todos os eventos extra-campo. Seu salário não é divulgado. Mas o Estado apurou que ela foi uma das primeiras contratadas em 2007 quando o COL foi formado, pelo seu pai.
Sob a presidência de José Maria Marin, Joana foi mantida no cargo, como um dos pontos de acordo entre Teixeira e o novo chefe da CBF.

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