“Investigação” da Fifa sobre corrupção de Havelange, Blatter e Teixera acaba em grande pizza

Jamil Chade

30 de abril de 2013 | 05h43

Há um ano, a Fifa anunciou com pompa que iria investigar as suspeitas de que João Havelange, Ricardo Teixeira e o paraguaio Nicolas Leoz haviam recebido propinas milionárias da ISL, a empresa de marketing da Fifa.

A entidade criou um comitê de ética e, hoje, um informe realizado a partir das “investigações” chegou às suas conclusões.

A Fifa admite que Havelange e Teixeira, além de Leoz, receberam propinas e que isso foi um ato ilegal.

Mas, depois de meses de supostas investigações, a conclusão é de que, como nenhum desses cartolas fazem mais parte do mundo do futebol, o comitê aponta que não há porque tomar mais qualquer tipo de medida punitiva contra essas pessoas.

Havelange renunciou ao cargo de membro do COI antes de sair o resultado da investigação, Teixeira abandonou a CBF e, justamente na semana passada, Leoz anunciou que por motivos de saúde, estava se retirando da Conmebol.

A pizza, porém, vai além. O comitê, supostamente independente, concluiu que Joseph Blatter, que foi o braço direito de Havelange, não fez nada de errado e que está limpo.

O caso, portanto, se encerra. E só serviu para revelar que a suposta reforma da Fifa foi e é uma grande farsa.

A independência do órgão de ética é mais que questionável. Hoje, foi justamente o serviço de imprensa da Fifa que encaminhou o informe final aos jornalistas e, menos de dez minutos depois, no mesmo email, enviava ao jornalistas de todo o mundo comentários de Blatter, dizendo-se satisfeito pela conclusão dos trabalhos e, principalmente, porque foi declarado como limpo.

Na Suíça, a pizza também existe.

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