Jerusalem quer sediar jogos da Eurocopa

Jamil Chade

20 Setembro 2013 | 06h23

39 cidades competem pelo evento de 2020

 

GENEBRA – Começa a corrida para sediar a Eurocopa de 2020. Hoje, a Uefa anunciou que 39 cidades apresentaram suas candidaturas para o evento que, pela primeira vez, não ocorre apenas em um país, mas em todo o continente. Entre as candidatas está até mesmo Jerusalem.

A federação de futebol de Israel faz parte da Uefa por um acordo já de anos e que permite que clubes de Israel disputem os torneios europeus e que Israel participe das Eliminatórias da Copa nas chaves da Europa. O motivo seria a impossibilidade de um time de Israel ser recebido para jogar em países como Irã, Arábia Saudita ou Síria.  Israel quer agora sediar pela primeira vez na região um jogo do segundo maior torneio de futebol do mundo.

No total, a Uefa vai escolher 13 cidades para sediar o evento de 2020. Entre as candidatas estão metrópoles tradicionais como Roma, Berlim, Londres e Madri. Mas a lista também traz surpresas:
Jerusalem, Minsk, Yerevan e Baku.

Diante de uma Europa em sua pior crise em 70 anos e diante de governos quebrados e sem meios para bancar grandes eventos esportivos, a Uefa decidiu acabar com a ideia de ter países-sedes para a Eurocopa.

Pelas regras estabelecidas, o torneio estará aberto a países menores para que recebam pelo menos uma partida do evento.

Para esses países, estádios menores serão aceitos para receber uma partida, justamente para democratizar o evento. A Uefa garante que, dos 13 selecionados, dois poderão ter apenas 30 mil lugares. Os demais estádios terão de ter pelo menos 50 mil lugares.

Michel Platini, presidente da Uefa, deixou claro que a Turquia é sua favorita para receber tanto um jogo das semifinais quanto a grande final.

Mas o apoio de Platini aos turcos não ocorre por acaso. A Turquia tinha como garantido o fato de que seria a sede do evento em 2020, antes que a Uefa chegasse à conclusão de que deveria espalhar o evento pelo continente.

Cada um dos demais estádios sediará pelo menos três jogos da fase inicial e um jogo das oitavas de final.

Modelo Brasil – O processo de escolha das cidades sede começará ainda neste ano e elas serão conhecidas em 2014. Uma certeza é de que a Uefa não irá repetir o modelo adotado na CBF em 2014 no Brasil de fazer as seleções rodarem pelo País durante a competição.

“Somos pessoas razoáveis”, disse Gianni Infantino, secretário-geral da Uefa. “Vamos concentrar as seleções em locais, como ter um grupo no Sul da Europa, outro no Norte, e assim por diante”, declarou.

Conhecida popularmente como a “Copa do Mundo sem Brasil e Argentina”, a Eurocopa se transformou no terceiro maior torneio esportivo do mundo. Em 2012, ela foi realizada na Polônia e Ucrânia. Em quatro anos, ocorrerá na França. Já em 2020, cada partida ocorrerá em uma grande cidade diferente do continente europeu. “O conceito mudou. O evento não ocorrerá em um país, mas em cidades da Europa”, disse a Uefa.

A mudança radical ocorre por dois motivos. O primeiro é a crise econômica. O secretário-geral da Uefa, Gianni Infantino, admitiu que a recessão tem dificultado os investimentos de governos em estádios e infra-estrutura para os eventos esportivos. “As exigências de infra-estrutura são cada vez maiores e entendemos que governos não tem recursos hoje para isso. Ao espalhar o evento, fica mais fácil para cada país preparar um, e não oito estádios”, declarou, lembrando que hoje poucos poderiam ser dar o luxo de fazer investimentos amplos.

O segundo argumento é o de que a medida acabaria liberando recursos para que a Europa se dote de estádios de alto nível em praticamente todo o continente. A esperança é de que governos de países menores decidam ampliar e renovar seus estádios, tendo em vista receber pelo menos um jogo. “Um dos objetivos é ajudar cidades a convencer seus governos a financiar seus estádios”, disse.