Jornalistas estrangeiros que vão para a Copa fazem curso sobre como atuar em “zonas de conflito”

Jamil Chade

10 de abril de 2014 | 19h19

GENEBRA – Jornalistas estrangeiros que vão desembarcar no Brasil para cobrir os jogos da Copa do Mundo estão sendo obrigados por seus editores e chefes a se prepararem de uma forma inusitada para o evento esportivo: eles foram enviados a treinamentos sobre como realizar uma cobertura em uma zona de conflito.

Os protestos nas ruas, a violência no Brasil e o temor das empresas de seguro são alguns dos motivos que estão levando os grupos de mídia a obrigar seus funcionários a passar pelo curso, o mesmo que é concedido para jornalistas que são enviados para locais de guerra, como Iraque, Síria ou Afeganistão.

Este blog recebeu confirmações de que uma das maiores agências de notícias do mundo enviou para Londres todos seus jornalistas escalados para cobrir os jogos do Mundial justamente para que aprendam a lidar com um cenário de conflito. A fonte pediu para que o nome da agência não fosse revelada. Outros grupos de imprensa, principalmente da Europa, também já reservaram o treinamento para seus jornalistas esportivos. Durante a Copa das Confederações, certas emissoras tiveram de sair às ruas com a ajuda de seguranças.

Na Fifa, a ordem é a de declarar que a entidade não está preocupada com os protestos e que Blatter tem “total confiança” no plano de segurança montado pelo governo. Mas, nos bastidores, responsáveis da entidade confessam a este blog que simplesmente não sabem qual será a reação dos cartolas e convidados se as ruas forem tomadas por manifestantes durante o Mundial.

 

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