Morre fundador do Festival de Jazz de Montreaux, pioneiro na promoção da MPB na Europa

Jamil Chade

11 de janeiro de 2013 | 07h43

Um dos homens responsáveis por abrir as portas da Europa para a música brasileira morreu na noite de quinta-feira. Claude Nobs, fundador do Festival de Jazz de Montreaux, faleceu depois de um acidente de esqui. Mas deixa um dos eventos mais prestigiados da música no planeta e um dos maiores acervos audiovisuais do século XX.

Nobs, um contator, foi chamado nos anos 60 pela prefeitura do pequeno vilarejo de Montreaux para criar alguma estratégia para chamar a atenção de turistas para a cidade aos pés dos Alpes e à beira do Lago Leman. Sua idéia foi a de criar um festival de jazz e chamar os maiors músicos da época. Funcionou.

Em 1967, subiriam ao palco os primeiros astros e, poucos anos depois, uma leva sem precedentes de brasileiros chegaria a Montreaux, convidados por Nobs. O festival abriu suas portas para João Gilberto, Tom Jobim, Chico Buarque e Caetano Veloso .  Para muitos, foi a iniciativa de Nobs que permitiu que a música brasileira, já com èxito nos EUA, passasse a fazer parte do cenário artístico europeu.

Anos depois, grupos como Skank, forró, Elba Ramalho e dezenas de outros fariam a viagem até os Alpes. “No mundo, existe a salsa, o rock, o jazz. Mas o Brasil é o único país que é um estilo de música por si só”, declarou Nobs ao Estado em entrevista em 2004.

O próprio Gilberto Gil confessou em entrevista ao Estado que foi justamente o festival de Montreaux que o convenceu, nos anos 70, a continuar sua carreira como cantor. “Estava decepcionado e tinha muitas dúvidas se deveria seguir esse caminho. Mas, depois de participar do festival, muitos amigos meus vieram me dizer que eu precisava continuar”, declarou em 2007.

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