Na Fifa, são os lobos que cuidam do galinheiro

Jamil Chade

02 de junho de 2015 | 06h10

 

GENEBRA – Os escândalos da Fifa que eclodem hoje foram iniciados em sua maioria na década passada, com cartolas que se consideravam acima de qualquer lei. A Fifa também insistia que era tinha seus mecanismos de controle e até mesmo um auditor interno. Mas basta olhar quem eram aquelas pessoas para se dar conta que, no fundo, a auditoria servia apenas para chancelar contas sem qualquer tipo de transparência.

Quem liderava a auditoria da entidade era o italiano Franco Carraro, ex-presidente do Milan e figura chave no futebol italiano. Sua posição era tão fundamental que, em grampos realizados pela polícia italiana, foi descoberto em 2006 que ele havia sugerido a compra de resultados na Serie A para garantir a Lazio na primeira divisão. Ele foi banido do futebol italiano e pegou uma pena de prisão de quatro anos, o que seria depois revertido em multa. Mas, na Fifa, ele manteve seu emprego.

Como seu vice-presidente estava um certo Jeff Webb, o simpático presidente da Federação de Futebol das Ilhas Cayman. Nada mais justo que um banqueiro para auditar as contas da Fifa. Na semana passada, porém, Webb foi um dos presos na operação em Zurique. O FBI havia registrado conversas e coletado material suficiente para o indiciar por corrupção.

A lista não termina ai. Outro membro do Comitê de Auditoria era Justino Fernandez, de Angola. Aliado e ministro na época do presidente José Eduardo dos Santos, foi ele quem iniciou um caso na Justiça para prender um jornalista que denunciou a corrupção em Luanda.

Do outro lado do corredor, no Comitê de Finanças, tudo passava por um certo Julio Grondona, morto no ano passado. Mas que por 20 anos manteve as chaves dos cofres da Fifa. Ao seu lado trabalhavam Jack Warner, acusado pelo FBI de corrupção, Mohamed Bin Hammam, expulso da Fifa por comprar votos para as eleições, Issa Hayatou, Reynald Temarii e Marios Lefkaritis, todos sob suspeita da Justiça suíça.

Ou seja, a Fifa tinha uma auditoria e um comitê financeiro para se ocupar da galinha de ovos de ouro que é a Copa do Mundo e seus lucros. Mas, por muito tempo, que a protegeu de ameaças externas foram lobos.

Será que só Blatter não sabia disso ?