Novo presidente do COI pode exigir mudança no nome do estádio João Havelange

Jamil Chade

10 Setembro 2013 | 12h52

GENEBRA – João Havelange perdeu seu cargo na Fifa, no COI, está desmoralizado internacionalmente e, agora, corre o sério risco de ver seu nome ser apagado de um estádio.

Thomas Bach, que acaba de ser eleito hoje o novo presidente do COI, já sugeriu que os organizadores dos Jogos de 2016 no Rio de Janeiro não devam usar o nome “João Havelange” no estádio que sediará o evento.

Pelos planos, o Engenhão seria usado em 2016 como estádio olímpico. Seu nome oficial, porém, é “Estádio João Havelange”, o que tem gerado duras críticas no exterior por conta das revelações sobre o amplo esquema de corrupção montado pelo brasileiro.

Havelange abandonou o COI há um ano, uma semana antes de a organização tornar pública uma investigação sobre sua atuação como presidente da Fifa e o fato de ter recebido R$ 40 milhões em propinas durante anos. A própria Fifa admitiu em um documento oficial que Havelange recebeu os pagamentos ilegais e fraudou a entidade.

O brasileiro, também para evitar punição e continuar recebendo sua aposentadoria, renunciou de seu cargo de presidente de honra da Fifa dez dias antes do anúncio de sua corrupção, em um final melancólico.

Agora, uma das últimas homenagens ao cartola também poderá acabar. Três vereadores do Rio de Janeiro já propuseram mudar o nome do estádio para “João Saldanha”.

Mas é de Bach que vem o golpe potencialmente mais duro. Antes de ser eleito, em resposta a uma pergunta feita pelo Estado, Bach deixou transparecer que, se ele fosse eleito como o novo presidente do COI, apoiaria a mudança do nome.

Questionado sobre o que ele achava de o Engenhão levar seu nome oficial em homenagem ao ex-presidente da Fifa marcado pela corrupção, Bach lançou seu desafio aos organizadores do evento no Rio de Janeiro. “Vamos continuar com a política que temos no COI de tolerância zero em relação à corrupção”, disse. “Isso é algo positivo para a credibilidade dos Jogos Olímpicos”, disse.

Diante da primeira resposta vaga, o Estado voltou a perguntar: “mas o sr. se sentiria confortável em ver o seu evento em 2016 em um estádio com o nome Havelange ou não?”.

Bach foi então mais claro. “Eu já dei minha resposta e acho que você pode tirar sua conclusão disso”, declarou. “Por enquanto, não existe um estádio olímpico. Ele só existirá em 2016 e espero que os organizadores respeitem as exigências éticas estabelecidas pelo COI”, completou.

Fontes dentro do COI traduziram a mensagem de Bach. “Haverá uma pressão nos bastidores para que o nome de Havelange seja retirado”, explicou uma fonte no Comitê em Lausanne. Já em Londres em 2012, jornalistas de várias partes do mundo questionaram o presidente do COB, Arthur Nuzman, sobre a situação do nome. Nuzman insistiu em qualificar Havelange como “um grande brasileiro”.

Em 2009, quando o Rio foi eleito como sede dos jogos, Havelange teve um papel importante. Na apresentação final, ele apelou aos membros do COI que dessem a sua cidade o evento e que comemorassem com ele seus 100 anos em 2016.