Pacotes no exterior para ver Copa de 2014 chegam a custar R$ 40 mil

Pacotes no exterior para ver Copa de 2014 chegam a custar R$ 40 mil

Jamil Chade

17 de outubro de 2012 | 08h09

 

Quanto vale o show…. Mesmo sem ninguém saber quais serão as seleções classificadas para o Mundial de 2014 e mesmo sem previsão dos preços dos ingressos, uma verdadeira corrida já foi iniciada pelas agências de turismo dos EUA, Europa e África para vender pacotes para turistas estrangeiros visitarem o Brasil. Um levantamento feito por este blog apontou que um estrangeiro pagará pelo menos R$ 17 mil para acompanhar a Copa. Mas a conta pode rapidamente subir a R$ 40 mil.

Isso tudo sem contar com os ingressos, que começarão a ser comercializados apenas depois da Copa das Confederações, em 2013.

Para convencer os estrangeiros a pagar a pequena fortuna, as agências de turismo já prometem que o Brasil terá “um sistema de transporte moderno e acomodações confortaveis”. O governo brasileiro estima que 600 mil estrangeiros desembarcarão no Brasil para o Mundial, duas vezes mais que a África do Sul recebeu.

Uma das empresas que já vende pacotes é a Great Atlantic Travel & Tour, agência oficial da Cop de 1994 nos EUA, de 1998 na França e 2002 no Japão. Apenas para os 13 primeiros dias da fase inicial da Copa, o pacote poderá custar R$ 9 mil por torcedor e ficando apenas em hoteis três estrelas. Uma opção por hotel de luxo elevaria o custo a R$ 20 mil.

Apesar de o governo e organizadores garantirem que não há risco de faltar hoteis em grandes cidades, a própria agência alerta que “pacotes tem um preço mais alto (no caso de incluir o Rio) por conta da falta de acomodação na cidade do Rio de Janeiro”.

Para as oitavas de final, mais um pagamento: de R$ 3 mil a R$ 12 mil, dependendo da qualidade do hotel. Para os quatro dias de quartas de final, mais um valor equivalente.

Já o pacote ara semifinal em Belo Horizonte e São Paulo e a grande final no Rio de Janeiro custaria entre R$ 11 mil e R$ 21 mil por apenas quatro noites de hotel e transporte entre cidades. A agência ainda alerta: para hotéis cinco estrelas, o preço será dado de forma privada ao cliente que peça, uma indicação de que essa opção será para poucos.

Segundo as agências, parte do alto custo se refere à decisão do Comitê Organizador Local e da Fifa de levarem as seleções a rodar o Brasil. Um torcedor que acompanhe sua seleção do primeiro ao último jogo do Mundial poderá ter percorrido 9 mil quilômetros. Ônibus entre cidade e voos para Manaus, Cuiabá e Recife são citados como os meios de transporte.

Na programação da tradicional agência Thomas Cook, os pacotes chegam até R$ 30 mil. No site da BR Online Travel, agência com sede em Miami e especializada em pacotes ao Brasil, as ofertas já indicam que o torcedor pode pedir um orçamento para acompanhar a seleção dos Estados Unidos e a do México.

No Reino Unido, a agência Thomson já se programa para oferecer pacotes aos ingleses, caso se classifiquem ao Mundial. A elite africana que queira cruzar o Atlântico para acompanhar o Mundial num esquema VIP pagará mais de R$ 18 mil apenas para as semi-finais e a grande final. Isso tudo sem contar com os ingressos.

 

Alerta – Os preços elevados são uma preocupação para a Fifa, que já deixou claro que não quer permitir que os mesmos erros da África do Sul se repitam no Brasil. Fontes da entidade revelam que, um ano antes do Mundial de 2010, os sul-africanos ainda abusavam nos preços cobrados, apostando que o fluxo de torcedores não seria afetado pelos valores.

O resultado foi um fiasco na compra de pacotes e uma mobilização por parte do secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, para garantir um maior número de voos entre a Europa e a África e um apelo para um certo controle de preços.

Ao Estado, o presidente da Uefa, Michel Platini, também revelou que a questão dos valores cobrados pela Ucrânia na Eurocopa deste ano foi um assunto que tirou seu sono. Mas, depois de muito insistir com os ucranianos de que deveriam rever seus preços de hotéis e passagens aéreas, abandonou a campanha, alertando que seria o próprio país quem perderia com isso.

Ingressos destinados a torcedores da França e mesmo da Inglaterra foram devolvidos aos organizadores, diante do fiasco nas vendas.

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