Papa faz visita surpresa à garagem do Vaticano e exige carros “humildes”

Jamil Chade

12 de julho de 2013 | 08h29

GENEBRA – O jesuíta que se transformou em papa e que por anos se preocupou em ir ao seu trabalho em Buenos Aires em um ônibus voltou a surpreender. Ontem, o papa Francisco decidiu fazer uma visita de surpresa à garagem do Vaticano, onde estão seus carros oficiais. O motivo: saber qual é sua frota para eventualmente decidir se desfazer dos modelos mais luxuosos. 

Nesta semana, o papa fez apelo a seminaristas e religiosos que ignorassem carros luxuosos. Claro, um apelo que numa Itália marcada por um amor ao carro pode parecer ainda mais chocante. 

“Dói em mim quando vejo um padre com o último modelo de carro”, declarou no fim de semana. No encontro, ele pediu que os religiosos escolhessem as marcas mais “humildes”, seguindo sua ideia de ter uma “Igreja pobre”. Em um apelo, ele pediu que os religiosos se lembrassem de quantas crianças passam fome no mundo. 

Em sua “inspeção” a sua própria garagem, o papa teria ficado impressionado com o valor e luxo da frota. 

No dia seguinte à sua eleição, o papa surpreendeu inclusive aos cardeais ao dispensar os carros de luxo que foram colocados em seu pátio para levá-lo a seus primeiros compromissos. No Brasil, ele acaba de indicar que não quer um quarto especial no Rio de Janeiro. 

Mas a tarefa de transformar a Igreja em uma entidade mais humilde promete ser dura. Durante o Conclave deste ano, tive a oportunidade de entrar no Vaticano a locais onde os jornalistas não são autorizados. No pátio central do Palácio, uma cena me chamou a atenção: filas de Mercedes e outros carros de luxo – todos negros – esperando pelos cardeais, os príncipes da Santa Sé.


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