Para reduzir custos de contratação, Paris St. Germain se instala no Brasil em busca de jovens talentos

Jamil Chade

11 de dezembro de 2013 | 14h01

Dados da Fifa mostram que, por ano, mais de cem menores são exportados para a Europa. 

GENEBRA – O Paris Saint-Germain (PSG) vai abrir uma escolinha no Rio de Janeiro para treinar e eventualmente contratar garotos brasileiros para o time que quer ser a nova potência do futebol europeu. A iniciativa foi anunciada hoje em Paris e os primeiros testes e atividades estão marcados para ocorrer já em janeiro.

Poderão se inscrever garotos de 5 a 16 anos de idade que serão acompanhados por “um treinador experiente do quadro francês”. A cada semana, em Paris, o clube reúne cerca de mil crianças. Mas essa é a primeira vez que a iniciativa chega à América Latina.

Se o time que já conta com Thiago Silva, Lucas Moura, Marquinhos, Alex e Maxwell vende a ideia como uma oportunidade, as autoridades brasileiras já deixaram claro que estão preocupadas com o fenômeno da transferência de menores para o futebol europeu.

Dados da própria Fifa indicam que mais de 100 garotos brasileiros foram exportados em 2011, legalmente. Mas a suspeita é de que isso seja apenas a ponta de um ice-berg e que na realidade o exército de jovens em busca de sucesso e fortuna seja bem maior, conduzidos por empresários. Para clubes europeus, quanto mais cedo descobrir um jogador de talento, menor será o custo.

Aldo Rebelo, ministro do Esporte, estimou em uma entrevista concedida ao Estado no início do ano que dois modelos de exploração de menores poderiam existir. O primeiro é o do empresário que faz promessas ao jovem e a sua família de que a ida do garoto para a Europa os tirará da pobreza. “Essa é o abuso mais rasteiro e é quase um contrabando e tráfico de crianças, exercido por pessoas nem sempre qualificadas e que trazem crianças sem dar garantias, sem segurança profissional, educacional e sem proteção social”, alertou o ministro.

O segundo modelo de exploração “oficial” e que envolve a abertura de escolinhas de futebol pelos grandes clubes europeus, justamente em países mais pobres. “Há uma forma sofiisticada que é um colonialismo, exercido por clubes ricos europeus, que abrem escolinhas no Brasil com custos quase zero, de uma camiseta e um tenis, fazem uma seleção e trazem apenas os garotos que podem se transformar em fortuna”, acusou. “É como uma mineração, onde cascalho é jogado fora e trazem apenas o diamante”, denunciou.

“Aquelas crianças que estão destinadas a serem astros e fortunas para o espetáculo do futebol europeus são trazidas, as demais são largadas”, alertou. “Os clubes não querem esperar que se desenvolvam como atletas, como jogadores, porque pagariam um preço mais caro, como hoje precisam pagar pelo Neymar”, insistiu. “Se Neymar viesse com 8 ou 10 anos para a Europa, não custaria nada para clubes europeus”, acusou.

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